Novidades mantêm em alta mercado de flores no País

Com melhorias genéticas e novas variedades colocadas à venda, setor conseguiu dobrar de tamanho no Brasil nos últimos cinco anos 

Cleide Silva, de O Estado de S. Paulo,

23 de agosto de 2012 | 23h14

Nos últimos cinco anos, os brasileiros dobraram os gastos com compra de flores. O consumo per capita, que entre 2002 e 2006 ficou estagnado em cerca de US$ 5, atualmente está em US$ 10. Com o aumento do consumo, que levará o setor a um faturamento recorde de R$ 4,3 bilhões neste ano, produtores locais estão fazendo parcerias para desenvolver novas espécies e melhorar as já existentes.

Também investem em produtos exóticos como a flor em formato de ovo, lírio com o dobro de pétalas, rosas negras e orquídeas decoradas. O Brasil já tem 350 espécies de flores e plantas, com 2,5 mil variedades, segundo a Câmara Setorial Federal. Mas, assim como a indústria dos carros, sobrevive de novidades.

As vendas de flores e plantas devem crescer entre 12% e 15% neste ano, muito acima do aumento previsto para o Produto Interno Bruto (PIB), que deve ficar abaixo dos 2%. "É um crescimento significativo, levando em conta que o setor, por exemplo, não faz propaganda", diz Kees Schoenmaker, presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), que representa cerca de 700 produtores.

Kees credita o crescimento contínuo nos últimos anos ao aumento da renda dos brasileiros, melhora genética das flores (que duram mais tempo após a colheita), renovação constante na oferta de produtos e ampliação do processo de distribuição - nos supermercados, por exemplo. Apesar do crescimento, o consumo per capita do brasileiro ainda é considerado baixo. Na Europa, está na casa dos US$ 70, informa Kees.

O desenvolvimento ou melhoria de uma planta pode levar até cinco anos. Foi o prazo que o sócio holandês da Flora Africana, de Holambra (SP) levou para desenvolver uma nova versão da Agapanthus, ou Flor do Amor, que será cultivada localmente a partir de setembro.

Segundo Dirk Mee Wis, dono da Flora Africana, a nova flor tem tamanho maior, é mais resistente - dura de oito a dez dias, o dobro de tempo da original - e a tonalidade do azul das pétalas é mais forte.

"A Agapanthus já existe no Brasil, mas a diferença entre a original e a nova é como dia e noite", diz o agricultor, que pretende cultivar cerca de 100 mil hastes até o fim do ano em Holambra e em Gravatá (PE).

Novidades

Holambra, fundada por imigrantes holandeses em 1948, responde por 40% da produção nacional de flores. É lá que ocorre todos os anos, em setembro, a Expoflora, evento considerado a "Fashion Week" do segmento por mostrar novidades e indicar tendências futuras do setor. É no evento deste ano que a nova Agapanthus será apresentada oficialmente.

Outra novidade será a "planta ovo" (Solanum ovigerum) que, além de uma pequena flor lilás, gera uma espécie de fruto similar ao ovo da galinha. Originária da Índia, já teve algumas mudas vendidas no País por meio de importação, mas os proprietários do Sítio Horizonte conseguiram a reprodução com sementes e pretendem dispor de 1,5 mil mudas por semana. Filho de holandeses, Alex Vermeulen cultiva a "planta ovo" em Holambra, onde produz também a "laranjinha ornamental".

A Fazenda Terra Viva vai lançar o "lírio dobrado", com o dobro de pétalas de uma flor convencional. "É como se uma flor estivesse dentro da outra, sobreposta", explica Carlos Gouveia, gerente de marketing da Terra Viva.

"Esse mercado é ávido por novidades", afirma Gouveia. Além de mais robusto, o lírio não apresenta pólen, o que o torna mais atraente em buquês de noiva, por exemplo, e para pessoas alérgicas ao produto. A fazenda adquiriu a tecnologia de reprodução do "lírio dobrado" de um produtor da Holanda, para quem paga royalties.

Os bulbos dos lírios são importados, passam por readaptação e são cultivados na unidade do grupo em Araxá (MG), por questões climáticas.

O grupo Terra Viva é o maior produtor da região de Holambra, onde cultiva açucenas e orquídeas. Uma das novidades deste cultivo será a Exótica, uma espécie de orquídea "que parece pintada à mão", segundo Gouveia, por ter cores fortes e pétalas com desenhos diferenciados.

 

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