Novo Almadén vai disputar com importados

O vinho está ganhando o paladar do brasileiro. De 1999 a 2001, o consumo cresceu 6%, especialmente nas categorias mais finas. Entre os vinhos que custam mais de R$ 20, o crescimento foi de 25% no período, por exemplo. Numa faixa abaixo, a expansão foi ainda mais significativa. A venda da bebida aumentou 38% nos níveis de preço entre R$ 13 e R$ 20 nos últimos três anos.A expansão desse mercado motivou a Almadén, vinícola controlada pela Seagram do Brasil Pernod Ricard desde 1989, a lançar uma marca premium, a Almadén Palomas Reserva Especial, que vai chegar ao mercado em agosto em duas versões, tinto e branco, numa série limitada de 36 mil garrafas numeradas.Líder no segmento de vinhos populares, acima de R$ 4, a empresa resolveu estrear na seara mais sofisticada, confiante nos fatores que estão favorecendo o consumo da bebida nacional: dólar em alta e diminuição do deslumbramento com os vinhos importados.Paralelo 31A Seagram do Brasil Pernod Ricard investiu US$ 2 milhões para alcançar um padrão mais elaborado, o que incluiu a colheita em vinhedos em Santana do Livramento (RS), cortados pelo paralelo 31, o mais indicado para o plantio das uvas que vão dar a base à confecção de vinho, pelas condições climáticas mais definidas nessa região.O solo nessa área também é mais propício ao plantio de uvas, por ser mais arenoso e garantir melhor drenagem da água das chuvas sem danificar as raízes das videiras. O paralelo 31 corta, por exemplo, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Chile e Argentina, todos países famosos pela produção de vinho.De acordo com o gerente de produto do Almadén, Gustavo Zerbini, a empresa entrou em contato também com especialistas para ajudar a chegar às melhores fórmulas dos vinhos mais sofisticados. Nasceram assim o Chardonnay (branco) e o Tannat Cabernet Sauvignon (tinto), que vão chegar a restaurantes e lojas especializadas com preço sugerido de R$ 18 a garrafa.Aroma de madeiraA empresa importou mudas de uvas e barris de carvalho da França em busca dos diferenciais que se aproximam dos melhores vinhos do mundo. Os barris, por exemplo, garantem um aroma delicado de madeira, prestigiado entre os conhecedores do assunto.Segundo o diretor de operações da Seagram do Brasil, Gladistão Omizzolo, o grupo vai continuar investindo no aperfeiçoamento da linha Paloma Almadén, que terá um novo lote preparado para o ano que vem. Omizzolo acredita que as 36 mil garrafas que estão estreando a linha, com uvas da safra de 2000, serão vendidas até o final do ano.Brasileiro apura paladarPara o gerente de produto Gustavo Zerbini, o paladar do consumidor brasileiro está evoluindo no que se refere a vinhos. "Quem entra no mercado começa a experimentar os vinhos que custam menos, depois começa a aderir às categorias mais finas", explica.Zerbini acredita que o crescimento do consumo dos vinhos acima de R$ 13 nos últimos anos é uma prova dessa evolução. Curiosamente, os vinhos entre R$ 7 e R$ 13 registraram queda de vendas de 9% entre 1999 e 2001.A Almadén vendeu 4,5 milhões de garrafas de vinho no ano passado. A marca detém a liderança do setor, com 6,7% de participação no País. O mercado se caracteriza por uma grande pulverização. A Chateau Duvalier, por exemplo, tem 4,7% de market share, a Marcus James, 4%, a Miolo 3,6%, e o restante está dividido entre centenas de concorrentes.

Agencia Estado,

23 de julho de 2002 | 17h37

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