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Novo aperto nos juros

As apostas do mercado para a decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) se dividem entre uma nova alta dos juros básicos (Selic) de 0,25 ou de 0,50 ponto porcentual ao ano. Levantamentos preliminares são de que a maioria dos analistas prevê reajuste de apenas 0,25 ponto porcentual, para 10,75% ao ano.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2014 | 02h12

Não dá para cravar a confirmação prévia de nenhuma das duas hipóteses. A dose mais alta de aumento, de 0,50 ponto porcentual ao ano, pode ser reforçada por um forte conjunto de fatores.

A inflação ainda não deu moleza, continua espalhada demais e existe muita alta de preços na bandeja, pronta para ir ao forno. Há, também, os efeitos altistas da seca, o impacto dos reajustes do início do ano e a perspectiva de maior avanço dos preços administrados (tarifas) pelo governo em relação ao que houve no ano passado.

Nova correção dos preços dos combustíveis também não estaria fora do alcance dos radares. Seria um jeito de dar maior credibilidade à economia, de aumentar a arrecadação do governo federal (especialmente com dividendos) e dos Estados (em ICMS sobre gasolina e óleo diesel) e reforçar o caixa da Petrobrás. Se acontecesse essa recomposição, haveria motivo adicional para combater com mais juros o efeito colateral inflacionário que viria em seguida.

Vale também lembrar que, apesar dos cortes de R$ 44 bilhões no Orçamento da União, o aumento de despesas previsto para este ano é o dobro disso, ou R$ 88 bilhões. E há a escassez de mão de obra que segue pressionando os custos de produção. Isso significa que continua forte a pressão sobre a demanda da economia acionada pelo aumento das despesas públicas. Até agora, a política monetária não conseguiu neutralizar a maior parte dos efeitos inflacionários da política fiscal.

Além disso, os resultados da Pesquisa Focus mostram que o Banco Central ainda não conseguiu controlar as expectativas, como dele é exigido. O mercado continua trabalhando com números crescentes de inflação em 2014. O dado mais recente (divulgado na segunda-feira, 24) apontou para 6,0%. O último Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central fala em 5,6% e o Orçamento da União cravou 5,3%.

Mas o Banco Central pode entender que já é hora de reduzir a dose do aumento dos juros para 0,25 ponto porcentual. Essa hipótese é consistente com as projeções médias do mercado de uma Selic máxima de 11,25% ao final deste ano, como aponta a Pesquisa Focus. Nesse caso, como hoje os juros básicos estão a 10,50% ao ano, só estaria faltando 0,75 ponto porcentual, ou seja, mais três reuniões do Copom (fevereiro, abril e maio). Também se espera novo desempenho medíocre da atividade econômica em 2014, fator que, por si só, se encarregaria de ajudar a combater a inflação.

Há quem argumente que a nova onda de má vontade no mundo em relação ao Brasil mais a ameaça de rebaixamento da dívida brasileira pelas agências de classificação de risco recomendariam que o Banco Central não baixasse a guarda contra a inflação. Mas aí já seria levar em consideração fatores demais.

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