Alex Silva/Estadão - 9/9/2020
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Novo auxílio emergencial compra menos de um terço dos alimentos de uma cesta básica

Com o benefício médio de R$ 250 só será possível bancar 27,97% dos itens básicos de alimentação de uma cesta de R$ 893,56; a partir de abril, brasileiros mais vulneráveis vão receber quatro parcelas do auxílio, variando entre R$ 150 e R$ 375

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2021 | 15h00

A nova rodada de auxílio emergencial, que será paga aos brasileiros vulneráveis a partir abril, está muito distante de atender às necessidades básicas de alimentação e de consumo de itens de higiene pessoal e limpeza da casa de uma família.

No mês passado, o custo da cesta básica na capital paulista para uma família de quatro pessoas ficou em R$ 1.014,63, segundo levantamento da Fundação Procon de São Paulo feito em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Houve até um pequeno recuo em relação a janeiro, de 0,11%, por causa dos produtos de limpeza.

Mesmo assim, o valor da cesta está muito mais próximo do salário mínimo, hoje em R$ 1.100, do que do novo auxílio emergencial. O benefício vai de R$ 150 mensais, para famílias de uma pessoa só, a R$ 375, no caso de mulheres que são as únicas provedoras da casa. Na média, será de R$ 250 por família.

Só o desembolso com alimentos básicos, como arroz, feijão, carne e outros 25 itens que entram na composição da cesta de comida, atingiu R$ 893,56 em fevereiro. Foi praticamente a mesma cifra do mês anterior.

Famílias com a mulher como única provedora e que vão receber R$ 375, conseguem comprar 40% da cesta de alimentos. Isso corresponde a uma cesta bem enxuta, só com arroz, feijão, óleo, alho, cebola e carne de segunda para preparar a principal refeição do dia e um café da manhã com café, açúcar, pão com margarina, mas sem leite.

Para a média das famílias que terá um benefício R$ 250, os recursos serão suficientes apenas para bancar menos de um terço da despesa com alimentação básica - 27,97%. Isto é,  essa quantia é suficiente  para cobrir  os gastos para a compra de arroz, feijão, óleo, cebola, alho e carne de segunda para o preparo apenas da principal refeição do dia. Mas não sobra dinheiro para os alimentos do  café da manhã.

As famílias de uma pessoa só, que vão embolsar um auxílio de R$ 150, terão dinheiro  apenas para fazer frente às despesas com as cestas de higiene pessoal (R$ 76,26) e limpeza da casa (R$ 46,81). Com o troco R$ 28,93, será possível comprar um pacote de 5 quilos de arroz (R$ 23,34) e menos de 1 quilo de feijão carioquinha (R$ 6,78).

“A situação é preocupante, de pauperização da sociedade”, afirma Marcos Pujol, diretor da Escola de Proteção e Defesa do Consumidor do Procon-SP. Ele argumenta que a situação da população para manter o consumo de itens básicos, como alimentos, fica ainda mais complicada diante dos aumentos de preços da comida e também de outros itens que estão fora da cesta básica. “O aluguel está subindo e as famílias têm gastos com material escolar e outros produtos e serviços básicos que estão fora da cesta.”

O valor da cesta básica pesquisado pelo Procon considera os preços mais baixos de cada item em 40 supermercados da cidade de São Paulo. Na prática, acaba esse custo acaba sendo inatingível para um consumidor comum, que não tem a disponibilidade de fazer esse mesmo tipo de levantamento na hora de ir às compras.

Na opinião do diretor do Procon, a situação já era crítica para fazer frente ao custo da cesta básica quando o auxílio emergencial era de R$ 600. Agora piorou com o valor muito menor do benefício, diz ele, lembrando do avanço da inflação e da grande massa de trabalhadores desempregados, que não para de crescer com o agravamento da pandemia. “É uma crise nunca antes vista e o Brasil vai chegar a um colapso social.”

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