Danielle Mattos
Danielle Mattos

Com novo avião, Embraer tem alta de 4,40%

No dia da entrega do primeiro jato de nova família de aeronaves, banco suíço UBS passou a recomendar compra do papel da fabricante, citando melhorias nas áreas de Defesa e de aviação executiva, que não foram vendidas para a gigante americana Boeing

Leticia Fucuchima e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 14h51
Atualizado 13 de setembro de 2019 | 11h39

Correções: 13/09/2019 | 11h39

No dia em que entregou oficialmente o primeiro E195-E2, o maior jato comercial que já produziu, a Embraer teve seus papéis recomendados para compra pelo banco suíço UBS e viu suas ações subirem quase 4,40% na B3, a Bolsa paulista, nesta quita-feira, 12..

Em relatório, o UBS afirmou que os braços de aviação executiva e defesa da Embraer – que não foram incluídos no acordo de venda para a Boeing – tiveram melhorias que passaram despercebidas pelos investidores. Para os analistas Myles Walton, Louis Raffetto e Emilee Deutchman, as entregas de aviões executivos devem ser maiores no segundo semestre na comparação com o mesmo período de 2018, puxadas pelo Preator, família de aeronaves de médio porte e alcance internacional lançada pela empresa no fim do ano passado.

O relatório também afirma que as margens dos seis primeiros meses de 2019 indicam que a empresa está controlando melhor os custos. Sobre o segmento de Defesa, os analistas destacam que as entregas do cargueiro militar KC-390 devem começar a trazer resultados à companhia neste segundo semestre.

O banco ainda vê chance de o acordo de venda de 80% do segmento comercial da Embraer para a Boeing ser concluído apenas no início de 2020. A meta era finalizá-lo no fim deste ano, mas um atraso pode ocorrer por causa da lentidão dos órgãos regulatórios chineses para aprovarem o negócio. Segundo os analistas do UBS, porém, não há “risco significante” de bloqueio do acordo.

Avião novo

Com capacidade para até 146 passageiros, o E195-E2 tem como chamariz o fato de consumir 25% menos combustível por assento que seu antecessor, o E195. O modelo deve atender a um dos segmentos do mercado que mais cresce, de aeronaves de até 150 passageiros.

“Não estamos aqui para competir com as grandes aeronaves de corredor único. Sempre posicionamos os E-Jets em termos de tamanho e de alcance como complementares às aeronaves da Boeing e da Airbus (maiores)”, disse John Slattery, presidente da área de aviação comercial da Embraer, que comandará a Boeing Brasil – Commercial (empresa resultante da venda da Embraer para a Boeing).

No fim do segundo trimestre, a Embraer tinha 124 pedidos firmes para o E195-E2, sendo 51 para a Azul. A companhia aérea brasileira será a primeira a operar o modelo, que foi comprado pela AerCap, maior empresa de arrendamento de aviões do mundo.

A Azul pretende começar a voar com o jato em outubro na rota entre Campinas e Brasília. A expectativa da empresa é receber mais cinco E195-E2 ainda neste ano. O presidente da companhia, John Rodgerson, indicou que todos os E195 de primeira geração da frota da Azul deverão ser substituídos até 2022.

Em coletiva de imprensa, Rodgerson afirmou que a aeronave deve operar também na nova rota da empresa, a ponte aérea entre Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). Por ser mais eficiente, o E195-E2 poderá ainda viabilizar rotas que antes não eram economicamente viáveis. “O David (Neeleman, fundador da Azul) me disse: ‘Tem uma rota em que nossos concorrentes estão e nós não estamos’. Eu disse: ‘David, estamos esperando o E2’”, afirmou.

Neeleman disse que os E2 poderão permitir passagens mais baratas e acrescentou que poderá usar os E195 de primeira geração em sua nova companhia, a Moxy, que deve começar a operar em 2021. Com os anúncios, as ações da Azul subiram 5%.

Correções
13/09/2019 | 11h39

Ao contrário do publicado anteriormente, a alta nas ações da Embraer na quinta-feira, 12, foi de 4,40% e não de 5%.

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