Clauber Cleber Caetano/PR
Clauber Cleber Caetano/PR

Novo banco dos Brics calcula US$ 4 bi em investimentos, diz Temer

Em reunião informal de líderes do Brics no G-20, Temer reafirmou que convidou o presidente eleito, Jair Bolsonaro para acompanhá-lo na viagem

Mateus Fagundes, Altamiro Silva Junior e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2018 | 12h06
Atualizado 30 de novembro de 2018 | 15h50

BUENOS AIRES - O presidente Michel Temer afirmou nesta sexta-feira, 30, em reunião informal de líderes do Brics no G-20, na Argentina, que o Novo Banco de Desenvolvimento deve ganhar "renovado ímpeto" nos próximos anos. Ele destacou que o chamado banco dos Brics já calcula US$ 4 bilhões em projetos de infraestrutura desde a sua fundação, em 2014.

A reunião informal de líderes do BRICS - que inclui, além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - ocorre horas antes da cúpula de chefes de Estado do G-20.

"Outros projetos devem ocorrer nos próximos anos. No Brasil, estamos consolidando a nossa presença, com a abertura do escritório no meu Estado, São Paulo, e na nossa capital, Brasília", afirmou.

De acordo com o presidente, o banco dos Brics já se mostrou rentável. "Ele surgiu para enfatizar as nossas relações, sendo uma expressão importantíssima da nossa união", disse.

Bolsonaro não pôde viajar, segundo Temer

Temer também afirmou que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), desejaria estar presente no evento, mas que não pôde viajar.

Ainda que houvesse a expectativa e o convite por parte de Temer, Bolsonaro já havia dito que não poderia ir à reunião do G-20 por estar se recuperando do atentado que sofreu ainda durante a campanha.

"Em nome de Bolsonaro, transmito os cumprimentos a vocês (líderes dos BRICS). Ele terá grande prazer em recebê-los no próximo ano, quando ocorrerá a cúpula do Brics no Brasil", disse.

Temer reafirma apoio ao multilateralismo e à OMC

O presidente Michel Temer também afirmou que os Brics respaldam o trabalho da Organização Mundial do Comércio (OMC).

No encontro, há a presença dos presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Donald Trump, que medem forças na escalada das tensões comerciais. O líder americano, inclusive, é crítico das decisões da OMC.

"Reafirmamos o respaldo à OMC e estamos dispostos a dar o apoio a amplos debates no âmbito da Organização", afirmou Temer, durante fala em Buenos Aires. O presidente brasileiro também reafirmou o apoio ao multilateralismo.

Protecionismo

Temer defendeu ainda a globalização na tarde desta sexta-feira em seu primeiro discurso na reunião de cúpula do do G20 e destacou que é preciso "recusar as aparentes facilidades do protecionismo e do isolacionismo". "Quero reafirmar que a escolha do Brasil é pela integração de todos", afirmou o brasileiro em suas rápidas declarações.

Ele defendeu que "mais e mais pessoas" tenham acesso aos benefícios da globalização. "A verdade é que, hoje, a globalização é fonte inegável de oportunidades. Mas é também fonte de ansiedade para parcelas significativas de nossas populações", disse ele, destacando que parte das pessoas está "sem acesso a capacitação adequada, alijados das inovações tecnológicas" e, com isso, "sentem um legítimo mal-estar", sobretudo por causa das mudanças no mercado de trabalho.

Com a insatisfação de determinada parcela da população com a globalização, Temer ressaltou que surge "a tentação de soluções que podem soar simples, mas são ilusórias". O presidente defendeu que é preciso resistir. "Há que se recusar as aparentes facilidades do protecionismo, do isolacionismo. O caminho que nos cabe trilhar é o caminho que leva adiante, não o que volta atrás."

"Quero reafirmar que a escolha do Brasil é pela integração de todos às possibilidades de um mundo crescentemente interconectado", disse Temer. Em seu discurso, ele defendeu a reforma trabalhista, aprovada no Congresso em seu governo. "Temos agora arcabouço jurídico compatível com mercados de trabalho mais dinâmicos e flexíveis."

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