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Novo bloco comercial rivaliza com o Mercosul

Chile, Peru, Colômbia e México criam o Acordo do Pacífico, que tem o objetivo principal de facilitar e aumentar o comércio entre esses países

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h08

Os governos do Chile, Peru, Colômbia e México formaram um novo bloco econômico que pode, pela primeira vez, representar um concorrente latino-americano à altura para o Mercosul. Sacramentado há duas semanas, em Mérida, no México, o Acordo do Pacífico já definiu a plataforma de funcionamento, que começa com um ambicioso cronograma de liberação comercial.

Ideia do ex-presidente peruano Alan Garcia - substituído pelo esquerdista Ollanta Humala em julho -, o Acordo do Pacífico é pragmático: o que importa aos quatro países é vender mais e comprar melhor. Sem a visão social do Mercosul, que trata de integração social, educacional, cultural e o que mais se puder lembrar, o Acordo quer apenas facilitar a troca de mercadorias entre os membros e ajudar na atração de investimentos e negócios com países de fora da região.

No seu cronograma de implantação, ganhou destaque a intenção de que, em seis meses, sejam eliminadas as regras de origem entre os quatro países e até 2020 estejam encerradas todas as obrigações de alfândega. O bloco pretende, ainda, permitir a livre circulação de pessoas e capitais até junho de 2012. Sem as eternas picuinhas sul-americanas - especialmente entre Argentina e Brasil - e com países até agora totalmente dedicados ao livre comércio, o bloco já nasce com um comércio interno de US$ 6 bilhões, obtido em 2010. A expectativa de seus membros é que alcance já este ano US$ 9 bilhões.

Atenção. Ainda assim, é uma troca inferior ao que os quatro países tiveram com o Brasil em 2010, quando o movimento comercial alcançou US$ 22 bilhões. Apesar disso, diplomatas brasileiros observam com atenção a criação do Acordo do Pacífico. O Brasil mantém relações excelentes com os quatro países, mas a economia nacional pode perder com o surgimento de um bloco em que os membros têm uma vocação para a liberalização do comércio.

A expectativa é que o México, mais industrializado, aumente sua entrada na América do Sul, o que já vem ocorrendo. E, também, que, juntos, os quatro possam atrair mais investimentos estrangeiros, especialmente chineses, interessados na produção de matéria-prima na região.

A pretensão de Alan Garcia ao sugerir a formação do bloco era contrapor o peso do Brasil na América Latina. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, também deixou claro que o Acordo seria uma maneira de "contrabalançar o Brasil" e unir a região, como explicou ao jornal The New York Times em março. Mas tudo isso pode não passar de desejo. O novo bloco se iguala ao Brasil em termos de população e tamanho do PIB. Politicamente, entretanto, nenhum dos quatro países tem a representação internacional que o Brasil tem hoje.

E, mais do que isso, pode não contar mais com uma adesão entusiasmada do Peru. Com Alan Garcia na presidência, a relação Brasil-Peru tinha altos e baixos. O então presidente peruano tinha uma relação protocolar com o ex-presidente Lula. Já Ollanta Humala tem emulado Lula, desde sua "Carta aos Peruanos", durante a campanha, até a tentativa, nesses primeiros meses, de fazer um governo com políticas sociais ao estilo brasileiro.

Humala diz que irá manter os compromissos do Acordo. Politicamente, no entanto, dificilmente irá romper com o vizinho mais próximo, mais poderoso e com dinheiro para financiar os projetos que pretende iniciar.

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