Coluna

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Novo cálculo do IPA ajuda a manter inflação baixa

O economista da PUC-Rio Luiz Roberto Cunha destaca que os combustíveis passaram a ter a maior influência direta na formação do Índice de Preços por Atacado (IPA), com a reformulação deste mês. Em relação a dezembro, o aumento no peso dos combustíveis foi de 1,47 ponto porcentual, e segundo Cunha, esse aumento ajudará a manter baixa a inflação medida pelos índices gerais de preços da Fundação Getúlio Vargas, já que está previsto um corte de 6,5% nos preços dos combustíveis em abril. "Se tudo correr bem, teremos menos inflação em 2001", diz. Cunha também cita a menor participação de itens de difícil previsão, como algodão (menos 0,41 ponto porcentual), cana-de-açúcar (menos 1,78 ponto porcentual) e química e outros (menos 2,08 pontos porcentuais), o que indicaria menores surpresas de oscilações de preços. Já o resultado na inflação da mudança de ponderação nos itens aves/ovos (mais 2,1 pontos porcentuais); complexo soja - formado por soja, óleo e gorduras - (mais 1,89 ponto porcentual); papel e papelão (mais 1,48 ponto porcentual); e minerais não metálicos (mais 1,43 ponto porcentual) vai depender da tendência de cada mercado, explica Cunha. No entanto, ele observa que para o mercado de farmacêuticos e papel e papelão, a tendência é de queda, o que também indica menos inflação em 2001. Luiz Roberto Cunha explica que como o IPA tem base móvel, ou seja, há pequenas variações entre os meses, os dados citados referem-se a comparações de ponderações entre janeiro de 2001 e dezembro de 2000. Volatilidade menor - Para o economista, o IPA, componente de maior peso nos índices gerais de preço da Fundação Getúlio Vargas, será menos volátil, em função das alterações no cálculo dos índices de preços da FGV a partir deste mês. "O principal resultado na mudança da ponderação é a significativa melhora na qualidade do índice, com a redução da excessiva volatilidade no IPA", afirma o economista. Cunha cita como um dos pontos principais o menor efeito das oscilações cambiais em função da redução de 3,52 pontos porcentuais dos produtos agrícolas na formação do IPA, chegando a 27,32% de participação e a consequente maior participação da indústria de transformação, de 70,96%, com ganho de 5,48 pontos porcentuais. Nos produtos industriais, a queda do efeito cambial se dá em função do corte de 1,96 ponto porcentual na indústria extrativa mineral. Tal grupo, formado por commodities como minério de ferro, minério de chumbo e cobre, passou de uma participação de 3,68% para 1,72%. Apesar da compensação por causa do ganho de 0,96 ponto porcentual nas lavouras agrícolas, no saldo entre os grupos formados por commodities, o resultado é de menos 2,28 pontos porcentuais.

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