Novo cálculo melhora relação dívida/PIB

Com a mudança na metodologia para calcular o Produto Interno Bruto (PIB), que gerou revisões para cima do resultado nos últimos anos, os indicadores de solvência do Brasil melhoraram de forma substancial, disse ao ''Broadcast'', serviço em tempo real da ''Agência Estado'', o economista-chefe da consultoria LCA, Braulio Borges. Segundo ele, a dívida bruta como proporção do PIB atingiu 63,5% em 2014 antes da adoção do atual método, mas agora deve baixar para 58,9%. Nesse contexto, ele avalia que, em 2015, esse passivo do governo deverá baixar de 65% para 61%.

RICARDO LEOPOLDO, Estadão Conteúdo

28 de março de 2015 | 08h05

"O patamar menor da dívida bruta diminui o risco de o Brasil perder o grau de investimento pelas três principais agências internacionais de rating", disse. "A Moody''s, por exemplo, já deixou explícito que o nível de 70% da dívida bruta em relação ao PIB poderia provocar a perda da nota soberana. No caso da agência, pode ser que rebaixe o País em uma nota neste ano. Mas não acredito que faria uma nova redução de rating, o que levaria a retirar o grau de investimento", acrescentou.

De acordo com Borges, a revisão para cima do PIB nos últimos anos eleva o PIB potencial de longo prazo, que considera ser de cinco anos à frente. Ele acredita que subiu de 2,3% para perto de 2,7% o nível do crescimento da economia que não causa pressões expressivas sobre a inflação. "Mas, mesmo com a nova metodologia do PIB, 2015 será um ano de retração, que deverá registrar um recuo próximo a 1%", comentou Borges.

Na avaliação do economista, um dos principais fatores que definirão esse desempenho desfavorável do PIB neste ano será uma queda de 4% a 5% da construção civil. "Isso deverá ser provocado por vários elementos, como ajuste fiscal, alta dos juros pelo Banco Central, impactos da Operação Lava Jato para o setor e o fim do boom de construção que ocorreu por vários anos até meados de 2013, o que está relacionado a um ciclo econômico em desaceleração."

O IBGE anunciou recentemente uma mudança no cálculo do PIB, com a inclusão de dados que não existiam e mudança na classificação de alguns itens - pesquisa & desenvolvimento, por exemplo, deixaram de ser considerados gastos e passaram a ser classificados como investimentos. A mudança, que atende a parâmetros internacionais, provocou a revisão no crescimento da economia a partir do ano 2000. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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