Novo câmbio facilita TEC do Mercosul, diz Ruckauf

O chanceler da Argentina, Carlos Ruckauf, afirmou que com a mudança da política cambial em seu país será mais fácil conduzir uma política de tarifa externa comum (TEC) como a pretendida pelo Mercosul. Ele deu esta resposta a uma pergunta sobre as distorções que foram praticadas pela Argentina na aplicação da TEC. Ele espera que a Argentina defina sua questão cambial "o quanto antes". Segundo ele, o caminho final para o câmbio é o da liberdade econômica e da flutuação da moeda. Ao ser questionado sobre o prazo para a convergência cambial total, ele respondeu: "Não queremos nos amarrar a uma data porque precisamos saber quantas costas temos para poder agüentar", afirmou. "Não se deve confundir coisas táticas com estratégias. Os prazos táticos são difíceis de serem definidos no início do plano. Recordem a experiência do Brasil, quando houve um período de câmbio fixo, depois de banda e depois a flutuação", afirmou. Em relação ao feriado bancário, Ruckauf afirmou que vai terminar "muito rápido" porque a decisão de se prolongar o feriado para hoje foi tomada por causa de problemas verificados ontem com os bancos.Segundo Ruckauf, a obsessão argentina em se prender a um sistema cambial rígido foi uma dificuldade que resultou em outras dificuldades. "Estamos convencidos de que uma política de Mercosul dentro de si, e de Mercosul em direção ao mundo, é parte fundamental da consolidação do mercado comum", disse o chanceler. Do contrário, segundo ele, haveria uma crise. "É importante que a crise termine não só nas palavras como em fatos concretos", disse. Ele ressaltou, no entanto, que não identifica uma necessidade de relançamento específico do Mercosul. "Não há dúvida de que estamos relançados, mas não gosto desta palavra", acrescentou. "Estamos num caminho que meu país não deveria, jamais, ter abandonado", disse o chanceler, se referindo ainda à preservação do Mercosul. Houve inconvenientes nas relações com o Brasil em decorrência de falta de consultas e trocas de informações adequadas com o governo brasileiro, admitiu o chanceler. Ruckauf acrescentou que a decisão do presidente Eduardo Duhalde é de ter uma mecanismo de consulta e troca de informações constante com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Lafer. Carlos Ruckauf agradeceu, durante a entrevista, dois gestos do presidente Fernando Henrique Cardoso: o envio de medicamentos e apoio na defesa de uma ajuda internacional para que a Argentina supere esta crise. O chanceler disse esperar que o presidente Fernando Henrique Cardoso mantenha este apoio no momento em que as medidas econômicas sejam apresentadas ao FMI e outros organismos multilaterais. "Para nós a palavra do presidente Fernando Henrique Cardoso é muito importante. Sempre encontramos compreensão do presidente Fernando Henrique". Leia o especial

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