Novo cenário alavanca mercado de papéis para infraestrutura

Em 2012, governo impulsionou lançamento de debêntures para financiar grandes projetos

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h03

No cenário de juros baixos, o desenvolvimento do mercado de capitais deve fazer com que a indústria de crédito privado, em especial as debêntures (título de dívida emitido por empresas) comece a se desenvolver no Brasil. Em países com a cultura de juro mais baixo, esse mercado de risco elevado já é mais maduro.

O que favorece a popularização das debêntures é a isenção do Imposto de Renda. "Já estamos sentindo uma procura maior, e um mercado secundário mais ativo. Mas ainda é um mercado bastante incipiente. Culturalmente somos investidores de títulos públicos", afirma Rossano Oltramari, analista chefe da XP Investimentos.

Este ano, o governo impulsionou o mercado com o uso de debêntures para financiar projetos. Em setembro, por exemplo, as debêntures de infraestrutura estrearam com R$ 12 bilhões em nove projetos dos Ministérios dos Transportes e Minas e Energia. A intenção do governo já anunciada é a de ampliar a medida para permitir que até escolas e hospitais sejam construídos ou reformados com o financiamento de debêntures.

"A nossa estratégia é participar do maior número possível dessas operações. Por dois motivos: pela questão de mercado, para levar para os nossos clientes um produto diferenciado, com isenção de imposto de renda, e pela função do BB de participar do programa de infraestrutura do País", diz Aguinaldo Barbieri, gerente executivo da Diretoria de Mercado de Capitais e Investimentos do Banco do Brasil.

O risco das debêntures está atrelado à empresa que está fazendo a emissão. Normalmente, as companhias têm um rating (uma nota atribuída por uma agência de risco) que pode auxiliar o investidor na tomada da decisão do investimento. "É importante conhecer a estrutura da operação", orienta Oltramari. "O investidor deve entender o produto no qual está alocando o recurso."

Bolsa. A forma mais tradicional para quem deseja apostar no bom desempenho das empresas é, obviamente, a Bolsa de Valores. Até sexta-feira, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) tinha valorização de 7,40% em 2012. O Ibovespa é muito influenciado pelo desempenho da Vale e Petrobrás, empresas que vêm enfrentando dificuldades com a desaceleração econômica internacional. "A Bolsa não é só o Ibovespa. Há várias oportunidades", diz Sinara Polycarpo, superintendente de investimento do Santander. "Já existem, por exemplo, fundos interessantes de empresas que pagam bons dividendos."

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