Novo choque positivo na agricultura

Para o IBGE, serão 224 milhões de toneladas de grãos; para a Conab, 228 milhões de toneladas e aí vem a provável segunda maior safra da história

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2018 | 21h00

Não dá para dizer que será um recuo, como os mais pessimistas preferem enfatizar. Nesta quinta-feira, tanto o IBGE como a Conab, organismos que aferem o comportamento das safras agrícolas do País, divulgaram novas projeções de 2018. A mensagem é de que teremos a segunda maior colheita de grãos da história. Não dá nem para reclamar de que será menor do que a anterior, porque os novos números já apontam resultados melhores do que os previstos há dois meses e os próximos também têm tudo para serem melhores do que os atuais.

Para o IBGE, serão 224 milhões de toneladas de grãos, queda de 6,8% em relação à produção de 2017. Para a Conab, 228,0 milhões de toneladas, redução de 4,1%. São números provavelmente conservadores, pois o regime de chuvas de estação, embora um pouco atrasado, veio bem melhor do que o inicialmente previsto pelos meteorologistas.

A percepção geral dos brasileiros formados nos anos 60 e 70, fortemente influenciada pela Cepal, a Comissão Econômica para a América Latina, ainda é de dar mais valor à industrialização na estratégia de desenvolvimento econômico. Tende a considerar a agropecuária como atividade de baixa agregação de valor e prejudicial à indústria. Certos economistas chegam a recomendar a adoção de um confisco (Imposto sobre Exportação) sobre as vendas de produtos agrícolas ao Exterior, porque entendem que a forte entrada de dólares produz valorização excessiva do real (doença holandesa), fator que tiraria competitividade da indústria.

Por conta dessa herança cultural, digamos assim, o brasileiro ainda reluta em ver a agricultura como grande fonte de desenvolvimento e de renda. Só mais recentemente é que começou a entender que “agro é pop e é tech”, como diz a mensagem publicitária, e que isso tem a ver com modernidade.

Já dá para antever impactos da excelente safra agrícola também desta temporada. Um deles é o de que tende a repetir-se em 2018 o choque positivo de oferta de alimentos, o mesmo que ajudou a derrubar a inflação em 2017. Em princípio, a expectativa de baixa pressão sobre os preços dos alimentos ajuda a segurar os demais preços.

Outro impacto benéfico será sobre a renda. Graças ao retorno da safra anterior, o agricultor está mais capitalizado e deverá reforçar o caixa com a nova colheita – a depender dos preços globais das commodities agrícolas que, na média, estão relativamente estáveis.

Esse reforço de caixa deverá refletir-se em aumento do poder aquisitivo, a partir do interior do País. É fator que deverá compor-se com o da melhoria geral do emprego e com a queda do custo de vida. Ou seja, melhoram as condições reais da economia.

O quanto dessa melhora será percebido pelas pessoas comuns é outra questão. Ainda nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reconheceu que a população demora para sentir a melhora porque continua impactada pela crise e pela memória da alta dos preços acontecida há mais de um ano. Mas é questão de tempo.

CONFIRA:

» Despenca o risco Brasil

Apesar da piora da qualidade das contas públicas e do rebaixamento do Brasil na classificação da Standar and Poor's, o principal indicador de risco do Brasil está em queda acentuada, como pode ser percebido pelo gráfico ao lado. Trata-se do Credit Default Swap (CDS) que aufere o grau de risco de calote dos títulos do Tesouro do Brasil, de 5 anos. A principal explicação para o comportamento desse índice é a que permeia o resto do mercado financeiro: a de que aumentam as apostas de que o ex-presidente Lula não conseguirá emplacar sua candidatura à Presidência nas próximas eleições.

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