Novo ciclo de aperto monetário será necessário

A decisão do Copom de manter a Selic estável e os recentes sinais do Comitê indicam que o BC não deve mais elevar a taxa de juros neste ano. O Copom entende já ter aumentado os juros a seu nível neutro, o que permitirá a continuidade do crescimento consistente com o equilíbrio de longo prazo e uma inflação no centro da meta no próximo ano.

Análise: Bernardo Wjuniski, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

Os argumentos do BC são os mesmos desde a ata da reunião de julho. Do lado doméstico, a justificativa é um cenário de expansão mais moderada da atividade econômica no resto do ano e em 2011. Do lado externo, o BC argumenta que o menor dinamismo da recuperação da economia mundial traz um viés desinflacionário. Além disso, as projeções de inflação do BC recuaram, e estão próximas do centro da meta neste e no próximo ano.

Entretanto, há fatores que apontam que esse cenário pode não se concretizar. Um desequilíbrio entre o crescimento da oferta e da demanda, o retorno da inflação corrente a patamares muito pressionados, junto com uma piora expressiva das expectativas de inflação, indicam que a inflação deve ficar acima do centro da meta em 2011, configurando cenário diferente do defendido pelo BC.

A desaceleração da economia mundial, juntamente com um câmbio apreciado, não deve ter força para segurar a pressão dos preços externos. Seus efeitos devem ser compensados pela forte influência dos preços das commodities, que devem seguir em alta em 2011. Além disso, as pressões da atividade doméstica e do mercado de trabalho, com efeitos principalmente sobre preços de bens não comercializáveis, como serviços, devem seguir pressionando a inflação.

É ECONOMISTA DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA E MESTRE EM HISTÓRIA ECONÔMICA PELA LONDON SCHOOL OF ECONOMICS (LSE)

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