Novo consumidor leva 18% dos carros

Há três anos, os compradores do primeiro carro zero quilômetro respondiam por apenas 10,5% das vendas das montadoras

Cleide Silva, de O Estado de S. paulo,

29 de maio de 2010 | 16h49

Após rodar durante muitos anos em um Santana 1985 e depois em um Corsa 1996, o casal Enilda Fabreti e Gabriel Aguiar da Silva comprou o primeiro carro zero, um Celta 1.0 básico que custou R$ 26 mil. Como eles, cerca de 260 mil consumidores estrearam no mercado de automóveis zero quilômetro só no primeiro semestre de 2009. O volume equivale a 18% de toda a venda das montadoras no período.

Em 2007, os compradores do primeiro zero respondiam por 10,5% das vendas, participação que subiu para 15% no ano seguinte e chegou aos 18% entre janeiro e junho de 2009. Nesse período, estava em vigor o corte integral do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Os dados constam de pesquisa semestral feita em conjunto pelas montadoras. Em breve, sairá o índice do ano passado completo. Além da alíquota do IPI, que começou a voltar gradativamente em outubro, o crédito com juros baixos e prazos longos trouxe para o mercado consumidor da nova classe média, também incentivada pela melhora da renda e da economia como um todo. Muitos desses clientes compravam carros usados ou não tinham veículos.

"A vantagem do carro novo é maior segurança, não ter de se preocupar tanto com a possibilidade de quebra, além de ter o período da garantia", diz Enilda, funcionária pública de 28 anos. Ela e o marido, policial militar de 29 anos, somam renda mensal de R$ 3,5 mil. O casal mora em Cajamar, na Grande São Paulo, e tem um bebê de dez meses.

Na quinta-feira, eles foram à revenda Palazzo, na capital, para uma vistoria no carro e se interessaram por outro modelo com porta-malas maior.

"Além do porta-malas maior para levar as coisas do bebê, pensamos em um carro com alguns opcionais como direção hidráulica e ar-condicionado", afirma Silva. "A compra vai depender da oferta que recebermos da loja e das condições de financiamento". Segundo ele, a ideia é dar o Celta como entrada e financiar a diferença em 36 ou 48 parcelas.

Novos produtos. Atenta a esse movimento, algumas montadoras já direcionam produtos, planos de financiamento e ações de marketing ao novo público do mercado de veículos novos. A General Motors elegeu o Classic, sedã pequeno que custa R$ 28 mil, como modelo a ser direcionado para as "classes emergentes C e D", conforme define Rodrigo Rumi, gerente regional de marketing.

Embora o Celta seja mais barato (a partir de R$ 26,7 mil), o Classic foi apontado em pesquisas como mais adequado para essa faixa de consumidores – muitos deles famílias que precisam de um automóvel maior. Além de campanha publicitária da nova versão, a GM criou plano especial de financiamento com prestação decrescente.

"Percebemos, também em pesquisas, que esse público se preocupa muito com dívidas, por isso criamos um plano em que as prestações vão diminuindo", diz Rumi. Um Classic adquirido com 40% de entrada e o restante em 60 parcelas, por exemplo, terá a primeira prestação no valor de R$ 510, a 30ª estará em R$ 403 e a última em R$ 292.

Rumi afirma que as revendas da GM registraram aumento de 20% a 30% nas vendas de carros novos para pessoas que antes compravam usados como primeiro carro. "De cada dez clientes que entram nas lojas interessados em um usado, dois ou três acabam levando um zero." O prazo de financiamento para novos é maior e o juro, menor.

Das vendas totais da Fiat no ano passado, 46% foram de Mille e Palio 1.0, os mais baratos da marca. Essa faixa de produto registrou aumento de 12,4% nas vendas em relação a 2008. Já a de sedãs pequenos, representada pela linha Siena, cresceu 21,8%.

Segundo um porta voz da Fiat, o desempenho melhorou quando a empresa lançou uma versão 1.0 intermediária entre a mais barata (R$ 29,4 mil) e aquela com motor 1.4 (R$ 39,6 mil). A nova classe emergente, diz o executivo da Fiat, não busca só o mais barato, mas "quer um carro que traga sensação de ascensão".

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