Novo corte de juros do Copom repercute entre Fiesp e CUT

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou nesta quarta-feira, 24, que a redução de 0,25 ponto porcentual da Selic está na contramão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado nesta segunda-feira pelo governo."Nem parece que o Copom integra o mesmo governo que, há apenas dois dias, anunciou um grande e abrangente programa voltado à expansão do PIB. É paradoxal", disse ele. "O presidente Lula é o maestro de uma orquestra que precisa estar afinada, atenta ao regente, para interpretar a ´Sinfonia do Crescimento´", acrescentou.Diante do que considerou uma "postura contraditória" por parte do Copom, Skaf declarou-se cético em relação ao sucesso das medidas do PAC. "A retórica com pompa e circunstância do crescimento começa a derrapar precocemente na Selic", disse. Segundo ele, dessa forma, "dificilmente o País terá o crescimento que a Nação precisa e merece".Associação ComercialEm nota distribuída há pouco, o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Guilherme Afif Domingos, lastimou a decisão do Copom em reduzir a taxa Selic em apenas 0,25%, argumentando que "que todas as estimativas para a inflação apontam resultados abaixo da meta".Afif argumentou também que os indicadores de inflação futura, como o câmbio, estão controlados e até mesmo a estimativa para a safra agrícola é bastante positiva. "Lamentamos que o Banco Central retire o pouco otimismo do mercado, uma vez que, há tão pouco tempo, o governo anunciou um plano para acelerar o crescimento", concluiu.CUTO presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, classificou de decepcionante a decisão do Copom. "Dezenas de notas oficiais emitidas após as decisões do Copom jamais sensibilizaram os integrantes desse restrito comitê, surdo aos apelos dos trabalhadores e do setor produtivo por uma queda acelerada da taxa básica de juros", diz o sindicalista em nota."Nem mesmo o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sinalização política do governo federal com vistas ao crescimento, retirou o manto da mesmice e da falta de coragem que obscurece a mente desses nobres cavalheiros. Chega de notas. Queremos mudanças. Os trabalhadores exigem participar ativamente das decisões em torno da política econômica. Pela ampliação e democratização do Conselho Monetário Nacional, já", encerra Henrique.Força SindicalO presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, criticou a decisão do Copom. Em nota, o sindicalista diz que a decisão "é um banho de água fria no morno Programa de Aceleração do Crescimento". Mais uma vez, acrescenta ele, o governo frustra os anseios dos trabalhadores com um tímido corte na taxa básica de juros.Segundo Paulinho, "é impossível crescer 4,5% neste ano, como pretende o governo, com este excesso de conservadorismo e com uma taxa de juros neste patamar. Continuamos com o triste título de campeões mundiais da taxa de juros. O governo precisa dar um ânimo e criar um circulo virtuoso na economia. É lamentável que o setor econômico do governo trabalhe em sintonia com a especulação".O sindicalista afirma ainda que o País precisa "urgentemente de uma autêntica agenda voltada para o desenvolvimento, com foco na produção e na geração de empregos. O governo tem de entender que a grande trava para o crescimento do País é a atual política econômica, que só privilegia o setor especulativo".

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