Novo gigante da carne nos EUA, JBS enfrentará crivo antitruste

As surpreendentes aquisições dobrasileiro JBS no setor de carne bovina nos Estados Unidosterão de enfrentar o órgão antitruste norte-americano, segundoanalistas, embora a empresa acredite que os negócios sejamaprovados sem a necessidade de desinvestimentos. Na terça-feira, o JBS anunciou a compra dasnorte-americanas National Beef e da Smithfield Foods, além dacompanhia australiana Tasman. "Isso irá certamente levantar questões com o Departamentode Justiça", afirmou Jim Robb, economista do Conselho deInformação de Negócios de Pecuária, após tomar conhecimentosobre o acordo. Sem especificar quando os negócios poderiam ser concluídos,o presidente do JBS, Joesley Batista, afirmou acreditar que acompanhia não terá de dispor de seus ativos para ver aprovadasas negociações. "Estamos confiantes que iremos ser bem-sucedidos. Nãoestamos pensando em desinvestimentos", declarou em umaconferência para jornalistas e analistas estrangeiros, um diadepois do negócio que surpreendeu a indústria norte-americanade carne. Se os acordos forem aprovados, a companhia com sede em SãoPaulo vai se tornar a maior em carne bovina do mundo, com 32por cento do mercado norte-americano e 10 por cento em termosglobais. A Tyson Foods é atualmente a maior em carne bovina dosEstados Unidos. A empresa estima ter cerca de 25 por cento domercado, mas essa participação deve ter caído recentemente, coma companhia encerrando atividades em um abatedouro comcapacidade para 4 mil cabeças ao dia, em Emporia, Kansas. Quando as aquisições estiverem concluídas, o JBS espera terreceitas mundo afora de 21,55 bilhões de dólares, contra atuais12,7 bilhões de dólares. JBS QUER MANTER UNIDADES O negócio foi anunciado em um momento no qual a indústriade carne bovina dos EUA atravessa um momento difícil, com umexcesso de capacidade de processamento, exportações baixas edesaceleração econômica da economia norte-americana. Durante a conferência, Batista afirmou que a companhia nãopretende neste momento fechar nenhuma de suas unidades, parareduzir a capacidade de abate e levar a um ajuste na oferta. No entanto, isso pode mudar mais para a frente. "Estamos estudando o que podemos fazer para tornar acompanhia o mais eficiente possível", ele afirmou. "Não vemosnecessidade de reduzir turnos, mas estaremos prontos para fazerisso se for necessário para competirmos, para economizarmosrecursos ou para fazermos dinheiro." Analistas acreditam que poderia haver o fechamento dealgumas unidades. "Eu creio que eles terão que fechar uma planta ou duas paratrazer a capacidade em linha com a oferta", afirmou RichNelson, analista de pecuária da Allendale. Segundo Nelson, o fechamento poderia ocorrer em mais algunsanos. AÇÕES SOBEM Em conferência a jornalistas brasileiros, Batista falou,entretanto, que já vê as margens do setor melhorando nos EUA,depois de um período em que ficaram negativas. "Estamos assistindo a uma importante mudança, seobservarmos os preços de carne e de boi. Acreditamos muito serpossível operar com 3 por cento de margem Ebitda, achamos que omercado dos EUA está melhorando, atingir margens de 3 por centonão é desafio para os próximos cinco anos, queremos atingir aolongo deste ano", disse Batista. Ele lembrou que uma margem de 6,5 por cento nos EUAequivale à de 14 por cento que a empresa tem no Brasil, porqueo preço do produto norte-americano é maior. Segundo ele, o mercado dos EUA registrou uma competição"irracional" após a compra da Swift pelo JBS, em meados do anopassado. "Estava tudo preparado para sucumbir uma empresa, queera a Swift, e não para receber um player novo." As ações de companhias como Tyson e Smithfields, além dasdo JBS, subiam nesta quarta-feira, depois que analistasdisseram que o negócio poderia ser bom para as companhias. Para a Tyson, o acordo significa menos companhias comprandogado, o que aumenta o poder de barganha das empresas, segundo oanalista da indústria Kenneth Zaslow, da BMO Capital Markets. Por volta das 17h, as ações da JBS subiam 7,6 por cento naBovespa, enquanto o índice da bolsa avançava 1,6 por cento. (Com reportagem adicional de Roberto Samora, em São Paulo)

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