WILTON JÚNIOR/ESTADÃO
WILTON JÚNIOR/ESTADÃO

Governador eleito do Rio diz que preços transparentes da Petrobrás podem trazer investimentos

Wilson Witzel quer que os Estados tenham autonomia para licitar concessões de ferrovias e na área de energia

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 17h25

RIO - O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, defendeu nesta segunda-feira, 3, maior transparência nos preços praticados pela Petrobrás para acabar com o “monopólio” no mercado de refino. Pediu também que os Estados tenham autonomia para licitar concessões de ferrovias e na área de energia, que hoje são prerrogativas da União. Segundo ele, as medidas melhoram a capacidade do Estado de gerar emprego e reduzir a dependência do petróleo.

Witzel, que participou de almoço promovido pelo grupo de líderes empresariais Lide,  afirmou estar conversando com a equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre o interesse do Estado em novos investimentos no mercado de refino. “Depende da Petrobrás. Depende de um controle de preços da Petrobrás mais atraente para que esse refino seja atrativo”, disse, citando a possibilidade de investidores privados apontarem recursos no Comperj e mencionando a possibilidade de mudanças até o fim do mês.

Ainda no segmento de combustíveis, Witzel prometeu reduzir o ICMS do querosene de aviação para 7%. Segundo ele, isso será parte de um rearranjo para atrair novos voos para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, que passa por desviar linhas regionais para o terminal e por melhorar as condições de segurança da Linha Vermelha, principal acesso ao aeroporto.

Após o encontro com empresários, Witzel explicou que as discussões sobre flexibilização de concessões estão acontecendo no grupo criado pelos governadores eleitos. Ele citou como exemplo possibilidade de construção de uma ferrovia entre Vitória e Rio de Janeiro. Esse projeto foi preterido pelo governo federal na negociação com a Vale para a renovação antecipada da concessão da estrada de ferro Vitoria-Minas, o que causou protesto do governo do Espírito Santo.

“O maior desafio é gerar emprego, mas a perspectiva de investimento no Rio é muito boa”, disse.

Alerj

Witzel disse também que está conversando com os deputados estaduais para fazer com que a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) “não cause sobressaltos no empresariado”. Segundo ele, o governo do Estado não quer ser “sócio nem cúmplice” do setor privado.

Com os quatro últimos ex-presidente presos, a Alerj votou nos últimos anos medidas que impactaram diretamente nos investimentos, como o fim de isenções fiscais. “(A Alerj) não pode votar projeto que dê ao mercado a ideia de que não tem segurança jurídica. Não atrapalhar já é uma grande ajuda”, afirmou.

Witzel prometeu um ajuste de R$ 1 bilhão no primeiro ano de governo com o custo da estrutura administrativa, com a ocupação de imóveis que já são do Estado e a redução nos gastos com aluguéis. “Só o edifício do Detran, que vamos entregar, gera uma economia de R$ 40 milhões”, exemplificou.

Na área de segurança,  prometeu ampliar o patrulhamento de ruas batizado de Segurança Presente, que é custeado com recursos da iniciativa privada. Segundo o governador eleito, o modelo de parceria permite fazer contratação adicional na área, já que a situação fiscal do Estado não permite ampliar os efetivos das polícias.

“Serão instaladas 30 mil câmeras com reconhecimento facial e de placas em todo o Estado.  Com isso, teremos segurança mais efetiva”, garantiu, reafirmando que irá pedir prorrogação do decreto de Garantia de Lei e da Ordem  (GLO).

Witzel defendeu as parceria público-privadas (PPPs) na área de saúde, em um modelo com 35 anos de concessão. A ideia, disse, é oferecer as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) em lote e integradas aos hospitais. “Estou conversando com o Banco Mundial. Espero apresentar o projeto no  início do governo”, disse.

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