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'Novo' Ibovespa terá mais ações de consumo e menos de construção

A Bolsa também vai retirar do índice ações que valem menos de R$ 1, o que afetaria diretamente a OGX

GABRIELA FORLIN , BETH MOREIRA, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2013 | 02h05

Os setores de consumo e financeiro são os que mais devem ganhar peso no Ibovespa com a nova metodologia anunciada pela Bolsa, segundo cálculos de bancos e corretoras. As ações ordinárias de grandes empresas como Petrobrás e Vale também terão peso maior no índice. Dessa forma, o desempenho do indicador reformulado deve refletir melhor o mercado de capitais brasileiro, de acordo com agentes do setor ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O presidente da Bolsa, Edemir Pinto, disse que a mudança da metodologia foi "uma das decisões mais importantes e mais difíceis dos últimos 20 anos". Ele reforçou que a Bolsa tem feito o trabalho ao longo de praticamente um ano e destacou que a crise nas empresas de Eike Batista não foi o que motivou as alterações.

Ainda assim, uma nova regra determina que ações classificadas como penny stocks (que valem menos de R$ 1) não poderão compor o índice, o que afeta diretamente os papéis da OGX, que fecharam o pregão de ontem negociados a R$ 0,39. A norma vale desde já. Ou seja, na próxima reavaliação, em 6 de janeiro, os papéis que não chegarem no valor mínimo de R$ 1 não serão elegíveis para compor o índice. Para se adequar à norma, a OGX, por exemplo, teria que fazer um agrupamento de ações.

Conforme as novas regras, os ativos serão ponderados pelo valor de mercado de seus papéis em circulação, sendo que a participação dos ativos de uma companhia no Ibovespa não poderá ser superior a 20%. Na metodologia vigente, o valor de mercado da empresa não tem peso no balanceamento da carteira, prevalecendo a liquidez.

As mudanças serão implantadas em duas etapas: a carteira que vigorará de janeiro a abril de 2014 será obtida a partir da média das ponderações definidas com base na metodologia anterior e na nova. Apenas a partir de maio de 2014 é que a ponderação do Ibovespa será realizada exclusivamente com base na nova metodologia.

Cálculos do Itaú BBA indicam que empresas de consumo que trabalham com produtos essenciais, como Ambev, Brasil Foods e Pão de Açúcar, devem elevar o peso na carteira dos atuais 9,3% para 12,8%, o que representa um avanço de 3,5 pontos porcentuais. Já o setor financeiro deve elevar a participação de 21,7% para 24,9%, um ganho de 3,3 pontos porcentuais.

Na avaliação do Credit Suisse os setores que mais devem perder peso na carteira são os de construção caindo de 10% para 3%. O Itaú BBA, por sua vez, observa que empresas que atuam com bens supérfluos devem reduzir sua participação de 11,9% para 8,8%, enquanto empresas de commodities devem passar de 22,6% para 20,5%. O setor de saúde deve cair de 0,6% para 0,4%, enquanto o segmento industrial recua de 5% para 4,9%.

Os analistas Stephen H. Graham e Fernando Siqueira, do Citibank, destacam ainda que além de OGX e construtoras, que terão seu peso reduzido drasticamente, as siderúrgicas também devem ter menos representatividade no índice sob a nova metodologia e poderão até ter uma exclusão, que é o caso de Usiminas ON.

Apesar das apostas do mercado, a BM&FBovespa não espera que o aperfeiçoamento do Ibovespa gere uma mudança significativa na quantidade de empresas incluídas no índice. Atualmente, o Ibovespa conta com 73 ativos e 67 empresas. De acordo com o diretor executivo de Produtos e de Relações com Investidores da Bolsa, Eduardo Guardia, a mudança que ocorrerá é na composição da participação das empresas.

As novas regras da BM&FBovespa preveem, em relação aos critérios de inclusão, que os papéis devem fazer parte do total de 85% mais negociado na Bolsa, acima dos 80% vigentes. Além disso, a ação deverá ser negociada em 95% dos pregões no período de vigência das três carteiras anteriores (também acima dos 80% atuais).

Outra decisão importante é a que prevê a exclusão de ações de empresas em situações de falência ou recuperação judicial.

Fundos. Em princípio, o aperfeiçoamento da metodologia do Ibovespa não deve provocar grandes movimentos nas carteiras de fundos de ações, segundo gestores ouvidos pelo Broadcast. Otávio Vieira, da Fides Asset, afirma que primeiro haverá uma análise muito detalhada das ações que ganharão ou perderão peso no índice e das que vão entrar ou sair. Só depois é que as carteiras começaram a ser ajustadas.

"Em princípio, não devemos ver nenhum impacto radical. Será uma mudança gradual, até porque, na prática, as alterações só vigoram no ano que vem", diz o vice-presidente da área de Investimentos da Mapfre, Eliseo Viciana. Segundo ele, os ajustes serão feitos assim justamente para evitar distorções dos preços dos papéis.

"A ideia da maior parte dos gestores é fazer tudo gradativamente para evitar distorções dos preços das ações", destaca.

O gerente executivo de fundos de ações da BB DTVM, Jorge Ricca, diz que há grande probabilidade de que os fundos indexados não façam nenhuma alteração significativa até o fim do ano. "Isso porque, até dezembro, o Ibovespa com o qual vamos trabalhar é o que está aí hoje." / COLABOROU ALINE BRONZATI

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