Novo IPCA pode favorecer corte na Selic

A mudança no cálculo do salário dos empregados domésticos no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode reabrir o caminho para cortes a curto prazo na Selic, a taxa básica de juro da economia. A avaliação é do economista-chefe do banco Crédit Suisse First Boston Garantia, Rodrigo Azevedo.Ela se baseia na constatação quase unânime do mercado de que a mudança de metodologia do salário dos empregados domésticos, supondo-se tudo o mais constante, reduz as projeções do IPCA para este ano em cerca de 0,4 ponto porcentual. Pela metodologia válida até abril, o subitem salário dos empregados domésticos do IPCA varia com o salário mínimo. A nova metodologia usa como indicador da variação o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.A mudança implica, na prática, que esse subitem não vai subir os mesmos 19,2% do aumento do salário mínimo, que entra em vigor em abril. Não se sabe exatamente quanto vai subir, mas há uma expectativa consensual em torno de 6%. Considerando-se que o subitem corresponde a 3% do IPCA, a velha metodologia provocaria um impacto no índice de 0,6 ponto percentual, e a nova de cerca de 0,2.Os economistas do mercado não criticam a mudança, já que, de fato, o pagamento das domésticas não varia hoje de acordo com o salário mínimo. "Era errado", resume André Loes, economista-chefe do Santander no Brasil. Azevedo observa que as projeções do IPCA, que são ponto de referência para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), também devem cair, como as do mercado, com a mudança metodológica dos salários domésticos.Na ata da última reunião do Copom, o BC informava que era possível cumprir a meta de inflação de 4% com a trajetória (prevista pelo mercado) de queda da Selic para 14% no fim do ano. Se a projeção do BC cair com a mudança metodológica, talvez seja possível cumprir a meta com uma redução mais rápida da taxa de juros.

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