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Novo 'Joesley Day' para a reforma da Previdência?

Na fotografia de hoje, o pior inimigo do presidente Bolsonaro é a fraca articulação política do seu governo para aprovar a reforma

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 12h40

Já está correndo nas mesas de operação do mercado a interpretação de que a prisão do ex-presidente Michel Temer pela força-tarefa da Lava Jato terá o efeito de um "Joesley day" sobre a tramitação da reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro.

Só para lembrar, o projeto de reforma da Previdência de Temer estava prestes a ir ao plenário da Câmara dos Deputados para a primeira votação quando vieram à tona as denúncias de Joesley Batista, dono da JBS, contra o ex-presidente.

No dia seguinte a essas denúncias o mercado desabou e o projeto de reforma da Previdência de Temer nunca foi à votação.

A primeira reação do mercado à notícia de prisão de Temer foi de queda forte do Ibovespa (de 1,78%), que logo perdeu o patamar dos 97 mil pontos, e ganho do dólar, ultrapassando o patamar de R$ 3,82 (+1,62%).

A leitura de muitos analistas do mercado é de que a prisão de Temer e de seu ex-ministro Moreira Franco pode deflagrar uma crise política e desviar a atenção das negociações para aprovação da reforma da Previdência de Bolsonaro, dadas as possíveis consequências da prisão dos políticos emedebistas, respingando em outras lideranças de partidos políticos. É bom lembrar que Moreira Franco é sogro do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Por enquanto, é prematura essa avaliação.

Não há evidências que as complicações de Temer e o núcleo duro do MDB vão afetar diretamente o presidente Bolsonaro ou integrantes do seu governo.

"Ainda é cedo (para avaliar o impacto negativo para a proposta de reforma da Previdência de Bolsonaro), mas pode até ajudar o presidente em sua cruzada de nova política e fragilizar as demandas do Congresso", afirmou a esta coluna o economista-chefe de uma importante corretora.

Obviamente, a reação inicial do mercado da prisão de Temer seria negativa, pois um evento dessa magnitude causa incertezas. A visibilidade para a tramitação da reforma da Previdência ficou definitivamente mais turva.

Como o Congresso pode reagir a esse movimento da Operação Lava Jato?

Como isso pode afetar o MDB na Câmara e no Senado?

E a prisão de Moreira Franco, sogro de Rodrigo Maia, poderá tirar o apoio do presidente da Câmara para a reforma da Previdência?

É preciso um pouco mais de tempo para avaliar melhor o risco político dessas prisões para a tramitação da reforma.

Porém, na fotografia de hoje, o pior inimigo do presidente Bolsonaro é a fraca articulação política do seu governo para aprovar a reforma da Previdência.

Nesse ambiente desfavorável, com atraso na escolha do relator da Comissão de Justiça e Constituição (CCJ) da Câmara, com atritos entre Rodrigo Maia e o presidente Bolsonaro e com a frustração com o projeto de reforma da Previdência dos militares, a prisão de Temer é um complicador a mais.

De qualquer modo, na melhor das hipóteses, o tempo consumido pelos parlamentares para discutir essa nova ação da Lava Jato pode atrapalhar, de fato, as negociações para se conseguir os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência.

Mas se a prisão de Temer vai realmente travar a tramitação da reforma, como aconteceu no "Joesley Day", ainda é cedo para bater esse martelo.

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