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Novo limite da Caixa deve retrair mercado de imóveis usados

Alternativa para financiamento será recorrer a bancos privados, que cobram, na média, juros mais altos

Renée Pereira, Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2015 | 21h57

A forte redução dos limites de crédito anunciada nesta segunda-feira pela Caixa provocará um choque de demanda no mercado de imóveis usados. “Poucas famílias têm condições de dar entrada de 50% do valor do imóvel”, avaliam Guilherme Vilazante e Daniel Gasparete, do Bank of America Merril Lynch (BofA), em relatório ao mercado.

Num primeiro momento, a medida poderá incentivar a compra de unidades novas que continuam com os mesmos limites de financiamento. “Mas, no médio prazo, os dois mercados devem se retrair, já que andam juntos. Muitos consumidores vendem o usado para comprar o novo”, afirma a analista da Tendências Consultoria Integrada, Mariana Oliveira, especialista em construção. Além disso, não estão descartadas mudanças nesse segmento.

Uma alternativa para quem quiser financiar uma parcela maior do imóvel usado será recorrer a bancos privados. Mas isso significa pagar uma taxa de juros maior que a cobrada pela Caixa. Segundo dados do Banco Central, os juros médios do financiamento imobiliário dos bancos públicos variava de 6,03% e 7,15% ao ano em março. 

Já as taxas médias dos bancos privados estavam na casa dos 9% ao ano. “Além disso, os bancos privados não terão capacidade de absorver todos os clientes que não serão atendidos pela Caixa. Eles também estão sofrendo com o esvaziamento da poupança. Alguns têm recursos para aguentar até outubro e novembro. Se não houver uma reversão do quadro, também terão de reduzir limites”, diz o vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP, Flávio Prado. 

Segundo ele, o BC terá de adotar alguma medida para amenizar a situação. Uma das saídas seria reduzir o compulsório de 20% para 10% e obrigar os bancos a destinarem os outros 10% ao mercado imobiliário. “Só essa medida injetaria R$ 50 bilhões no mercado.” 

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