Novo Mapa do Brasil: Sul e Sudeste conduzem crescimento

Apesar de as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ganharem um papel cada vez mais relevante na economia brasileira, o Sul e o Sudeste ainda aparecem como os dois grandes motores do desenvolvimento brasileiro. Marcados pela tradição do empreendedorismo, seja nas pequenas empresas ou nas grandes corporações, esses dois centros parecem ter encontrado uma forma de permanecer à frente do cenário nacional por meio da inovação e do amadurecimento dos negócios. Esta foi a conclusão deixada pelo último seminário da série "O Novo Mapa do Brasil", programada pelo Grupo Estado para avaliar o desenvolvimento dos diferentes mercados que compõem a economia do País."Embora no longo prazo o Sudeste e o Sul estejam perdendo espaço em relação a outras regiões, eles ainda representam um papel muito importante na economia brasileira", disse o presidente do BNDES, Guido Mantega, que integrou o corpo de palestrantes do evento, realizado nesta terça-feira na sede do Grupo Estado, na capital paulista.De acordo com ele, a tendência fica mais clara considerando que, desde o início deste ano, essas duas regiões foram os principais destinos dos recursos liberados pelo banco. Entre janeiro e dezembro, os desembolsos do BNDES para o Sul corresponderam a 21% do total, enquanto o Sudeste ficou com 62%. Porém, Mantega garante que essa distribuição não sofreu a interferência política do banco. Segundo ele, o único motivo desse cenário é o fato de a demanda nesses locais ser superior à de outras áreas do País. "Nós apenas recebemos menos projetos de outras regiões", afirmou.PetróleoUma das razões do sucesso de diversas empresas nascidas no Sul e no Sudeste do País é que elas estão integradas aos maiores centros consumidores. A Petrobras, por exemplo, aponta que uma de suas maiores vantagens competitivas é a proximidade de suas reservas aos mercados do Sudeste e do Sul. O gerente-geral da área de exploração e produção da Petrobras, José Luiz Marcusso, observou que "cerca de 80% da produção e das reservas estão na região, na cara do nosso grande público consumidor".Marcusso lembra que a companhia possui em Campos (RJ) seu grande centro produtivo, ao mesmo tempo em que o maior potencial de crescimento para os próximos anos encontra-se nas bacias do Espírito Santo e de Santos. Aliada à questão do consumo, os níveis maiores de escolaridade e a qualificação da mão-de-obra dessas regiões abriram espaço para uma nova onda de desenvolvimento, dessa vez guiada pela tecnologia.Software x padariaSanta Catarina, por exemplo, tornou-se a sede de um dos principais pólos de informática do País, o Blusoft. Com isso, a cidade de Blumenau passou a sediar 489 empresas de informática, sendo que 293 são especializadas na área de software. "Temos em Blumenau mais empresas de software que padaria", afirmou o presidente do Blusoft, Jeziel Montanha.Uma das empresas que se beneficiou desse avanço foi a Embraer, que encontrou a possibilidade de disputar o mercado aeroespacial também em outros países. "A tecnologia precisa ser de ponta, não apenas nos produtos, mas também nos processos", disse o executivo de comunicação da companhia, Horacio Forjaz.Responsabilidade comercial e socialMas os grandes casos de sucesso do Sul e do Sudeste também parecem compartilhar uma mesma característica: a capacidade de aproveitar oportunidades sem desconsiderar sua relação com as pessoas que permitem o funcionamento de seus negócios. "Descobrimos que não havia como separar a responsabilidade comercial da responsabilidade em relação à comunidade na qual operamos", afirmou o presidente da Renar Maçãs, Roland Brandes.Ao dar destaque à política de relacionamento da empresa com a força de trabalho e aos esforços na área de responsabilidade social, o executivo ressaltou que essa postura permitiu inclusive que a empresa fosse a primeira do ramo agrícola a integrar o Novo Mercado da Bovespa.DedicaçãoEssa postura também foi apontada como uma das chaves do sucesso pelo diretor-executivo da Casas Bahia, Michel Klein. A companhia, que trabalha com 100% de seus mais de 55 mil funcionários com registro em carteira, encontrou no tratamento dado aos consumidores a receita para estimular também sua força de trabalho. "Nossa filosofia de dedicação total vale para os dois lados - para os fregueses e para os funcionários", afirmou Klein, em referência ao slogan da empresa.O Grupo Algar garante que o investimento na comunidade não é apenas uma questão de responsabilidade social mas sim uma forma de desenvolver funcionários capazes de levar a empresa ao crescimento. "Esta é uma decisão estratégica", disse o vice-presidente executivo da companhia, José Mauro Leal Costa.Mais educaçãoDe qualquer forma, o fato de o Sul e o Sudeste manterem sua evolução não significa que seja fácil criar um novo negócio ou inovar nesses mercados. "A cada ano, 500 mil novas empresas nascem por ano nesse País, mas nascem precariamente", disse o diretor do Sebrae-RS, Edgard Powarczuk, acrescentando que a entidade tem sido obrigada inclusive a desencorajar o empreendedorismo quando a iniciativa de criar um novo negócio tem por único objetivo encontrar uma saída para o desemprego.De acordo com ele, esse cenário será revertido somente no momento em que a educação ganhar prioridade no País. "Temos que investir em educação. Caso contrário, não teremos empreendedores de qualidade."

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