Novo megacampo no Brasil mexe com bolsas de Londres e Madri

Ações de petroleiras e até de companhias fornecedoras de equipamentos de perfuração subiram

Daniela Milanese, da Agência Estado ,

15 de abril de 2008 | 09h30

As informações sobre o megacampo de petróleo no Brasil fazem as bolsas de Londres e de Madri destoarem das outras praças européias, com as ações das empresas petroleiras mantendo ambas firmes no terreno positivo. A notícia chega a favorecer até companhias fornecedoras de equipamentos de perfuração e de outros serviços relacionados, como os da italiana Saipem e da norueguesa Seadrill, que na segunda-feira, 14, anunciou um contrato com a Petrobras.  Veja também:Pão de Açúcar: País pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundoA história e os números da Petrobras A maior jazida de petróleo do PaísA exploração de petróleo no Brasil'Brasil pode se unir à Opep', diz jornal americanoDescobertas vão render R$ 160 bi  As ações do BG Group, que tem participação de 30% no megacampo, sobem mais de 5% em Londres e as Royal Dutch Shell, com 40% de participação em um bloco próximo ao megacampo, avançavam mais de 1%, alavancando ganhos de 0,66% na Bolsa de Londres. Já os papéis da espanhola Repsol-YPF, que têm uma participação de 25% no megacampo, subiam cerca de 10%. A Bolsa de Madri operava em alta de 0,98%. Já Paris (-0,47%) e Frankfurt (-0,43%) abriram em alta, mas viraram movidas pela surpresa negativa com o índice de sentimento econômico alemão ZEW, que marcou -40,7 em abril, pior do que o consenso de -29,5. A sinalização é relevante porque, até então, a maior economia da Europa estava mostrando indicadores consistentes e parecia resistir à crise. O euro cambaleou, mas segue subindo em relação ao dólar e à libra. A moeda americana, aliás, recua bem frente ao iene. O preço do barril do petróleo bateu novo recorde durante a manhã e chegou a US$ 113,66. Balanços atraem atenções As atenções do mercado continuam voltadas para os resultados corporativos, que tendem a refletir os efeitos da crise. Até agora, a temporada de balanços do primeiro trimestre não trouxe boas notícias. GE, Philips e Wachovia decepcionaram. Nesta terça, os investidores conhecerão os números do Washington Mutual e da Intel. "Qualquer surpresa negativa pode colocar pressão nos mercados de ações e levar os yields (prêmios) dos Treasuries para baixo", diz a chefe de pesquisas do Itaú Europa, Ana Esteves. "Se os resultados vierem abaixo do esperado, a conclusão óbvia será que o mercado estava muito otimista (...) e um sentimento de aversão ao risco deve vir na seqüência." Além dos balanços, os investidores podem reagir ao dado de inflação no atacado nos Estados Unidos, que veio acima do esperado. Os preços subiram 1,1% e a alta esperada era de 0,6%. Anúncio de megacampo cria especulação O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, surpreendeu na segunda-feira o mercado ao afirmar, em seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, que a área de exploração de petróleo conhecida como Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, pode ter até cinco vezes o volume de petróleo do megacampo de Tupi."Se isso for confirmado, será a maior descoberta já feita, que poderá se transformar no terceiro maior campo de produção de petróleo no mundo", disse Lima, que estimou as novas reservas em 33 bilhões de barris. Diante da insistência dos jornalistas, o executivo disse em entrevista que os dados eram ainda oficiosos: "São dados preliminares que nos foram fornecidos pelas empresas". A inconfidência de Lima - confirmando especulações que circulavam no mercado desde o fim do ano passado - provocou reação imediata no mercado financeiro. As ações da Petrobrás dispararam. Houve um momento em que a empresa, sozinha, respondia por metade do giro de recursos na Bovespa. Os papéis ordinários (ON) chegaram a valorizar-se 10,8% e fecharam o pregão com alta de 7,68%. A direção da estatal, que de início não quis comentar as declarações do diretor da ANP, teve de emitir nota, explicando que "a abrangência das descobertas em Santos ainda depende de estudos". A empresa comunicou ainda que"um plano de avaliação das áreas deverá ser entregue à ANP dentro de poucos dias". À noite, diante da repercussão das declarações de Lima, alvo de críticas até da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, a ANP emitiu uma nota de esclarecimento na qual classificou como" conhecidos" os dados expostos pelo diretor. A ANP remeteu as informações a notas veiculadas pela Agência Estado, em novembro do ano passado, e a uma coluna da revista World Oil. Na exposição, o diretor da ANP identificou como Pão de Açúcar apenas o bloco BM-S-9 (Bacia Marítima de Santos, nº 9), operado por um consórcio formado pela Petrobrás (45%), a britânica BG(30%) e a hispano-argentina Repsol (25%). Segundo ele, o volume de óleo que é possível extrair da jazida poderia chegar a até 33 bilhões de barris. A megajazida de Tupi tem reservas estimadas de 5 bilhões a 8 bilhões de barri As reservas de bilhões de barris de óleo, de qualidade superior à produzida atualmente no País, estão numa profundidade definida como "pré-sal", ou abaixo da camada de sal que forma blocos no subsolo marítimo. As descobertas estão em áreas próximas, na Bacia de Santos, mas a Petrobrás estima que o mesmo tipo de ambiente pode se repetir por cerca de 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa Catarina, como foi informado na época da descoberta de Tupi. Os primeiros indícios de petróleo e gás na área foram informados à ANP em agosto de 2007, mas sem o volume identificado no local.

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