Novo Mercado da Bovespa será inaugurado amanhã

O Novo Mercado da Bovespa será finalmente inaugurado amanhã, depois de mais de 13 meses de seu lançamento, com a negociação de ações da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR). As condições da emissão dos papéis foram conhecidas ontem: a empresa vai captar R$ 305,3 milhões, colocando no mercado 16,963 milhões de ações ordinárias (ON), que dão direito a voto. A oferta saiu pelo preço mínimo, de R$ 18,00 por ação - o valor máximo era de R$ 22,00. O objetivo do Novo Mercado é reunir ações de empresas que têm um compromisso mais firme com a transparência na divulgação de informações e o respeito aos direitos dos minoritários - é preciso, por exemplo, ter apenas ações ON (ver outras exigências na tabela abaixo). Os analistas vêem com bons olhos a emissão da CCR, mas entendem que não haverá uma avalanche de novas operações no Novo Mercado no curto prazo, o que depende principalmente das condições do mercado.A CCR, que detém as concessões da Autoban, NovaDutra, Rodonorte, Ponte Rio-Niterói e Via Lagos, colocou no mercado o equivalente a 20% de seu capital. A empresa deve elevar esse porcentual para 25%, o mínimo exigido pela Bovespa, em três anos. Há a possibilidade de que sejam emitidas mais 2,544 milhões de ações nos próximos 30 dias.Os analistas dizem que não deverá haver uma enxurrada de emissões no Novo Mercado nos próximos meses. A chefe do Departamento de Análise da corretora Fator Dória Atherino, Lika Takahashi, ressalta que isso depende muito das condições do mercado acionário. "E, como 2002 é um ano de eleições, é possível que tanto os investidores como as empresas sejam mais conservadores."Preço baixo torna abertura pouco atraenteO diretor da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, diz que os preços das ações brasileiras ainda estão num nível baixo, o que torna a abertura de capital ou novas emissões pouco atraentes para as empresas. Isso depende, segundo ele, de alguns anos de crescimento expressivo, com juros reais abaixo de 10% "Essa combinação tenderia a levar a uma maior alocação de recursos para a bolsa, impulsionando emissões. "O gerente de Análise da HSBC CTVM, Fernando Aoad, entende que as empresas que já são negociadas na Bovespa dificilmente migrarão para o Novo Mercado, pois a maioria tem o grosso de seu capital em ações PN. Para ele, há uma possibilidade de que empresas como CSN, Sabesp e Souza Cruz, que possuem apenas ações ON, acabem entrando no novo segmento da Bovespa. A Sabesp, que já manifestou interesse no Novo Mercado, enfrenta um obstáculo: tem apenas cerca de 12% de suas ações em circulação no mercado. A Bovespa também criou os níveis 1 e 2 de governança corporativa, com regras menos rigorosas do que as do Novo Mercado, mas servem para identificar empresas dispostas a dar um tratamento diferenciado ao minoritário (ver quadro). Por enquanto, 19 companhias aderiram ao nível 1, o que não é considerado um grande avanço pelos analistas, pois as exigências são fáceis de ser cumpridas.Exigências para as empresasNovo MercadoNovo MercadoNível 1 de Governança CorporativaNível 2 de Governança CorporativaEmissão apenas de ações ordinárias (ON), que dão direito a voto.Manutenção de pelo menos 25% das ações em circulação no mercado.Cumprimento de todas as regras para o nível 1.Manutenção de pelo menos 25% das ações em circulação no mercado.Realização de novas ofertas de ações para dispersar o capital.Mandato unificado de um ano para todo o Conselho de Administração.Extensão para os minoritários das mesmas condições obtidas pelos controladores em caso de venda da empresa (tag along)Divulgação de balanços trimestrais com a demonstração do fluxo de caixa.Divulgação de balanço seguindo normas internacionais de contabilidade (US GAAP ou IAS GAAP)Resolução de conflitos societários por meio de uma Câmara de Arbitragem.Divulgação de acordos de acionistas e programas de opções de açõesAdesão à Câmara de Arbitragem para solução de conflitos societários.Divulgação de balanços de acordo com as normas internacionais de contabilidade (US GAAP ou IAS GAAP). Extensão para quem tem papéis ON das mesmas condições obtidas pelos controladores em caso de venda da empresa e de 70% do valor para quem tem ações PN.

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