Novo mínimo injeta R$ 2 bilhões por mês na economia

O pagamento do novo salário mínimo vai injetar uma renda extra de quase R$ 2 bilhões por mês na economia a partir de maio, ajudando a sustentar a recuperação do mercado interno. Em um ano, o incremento chega a R$ 25,4 bilhões, estima o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Além do aumento de R$ 50 no mínimo (que passou de R$ 300 para R$ 350), o consumo tem sido favorecido pelo crescimento da massa de rendimentos do trabalho, estimulado pela retomada do emprego. O ritmo de atividade de indústrias voltadas para o chamado setor de bens de consumo, que inclui alimentos, produtos de limpeza, higiene pessoal e material de construção, entre outros, dá sinais de aceleração, o que abre perspectivas para o crescimento da economia em 2006. As vendas de embalagens de papelão ondulado, consideradas um dos termômetros do ritmo da atividade econômica, também surpreenderam. De acordo com a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), foram expedidas 526,4 mil toneladas nos primeiros três meses do ano, o que representou crescimento de 5,9% em relação a igual período de 2005 (497,1 mil toneladas). "Esperávamos entre 3,5% e 5%", diz Paulo Sérgio Peres, presidente da entidade. "No ano passado, o mercado interno mais patinou do que andou. Qualquer melhora no consumo tem reflexo nas vendas do setor. É o que estamos assistindo agora." Quase 50% da produção de papelão ondulado é destinada a embalagens dos chamados produtos básicos. O setor alimentício responde por 36% das entregas; já o de produtos de limpeza doméstica e artigos de higiene pessoal, 8,5%. Outros 7% vão para bebidas e fumo e 3,1%, para produtos farmacêuticos e perfumaria. "O aumento do salário mínimo vai provocar um consumo maior nessas áreas", acredita o presidente da ABPO. Conforme estimativas do Dieese, 39,9 milhões de brasileiros têm seu rendimento referenciado no salário mínimo. Cerca de 16 milhões são beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com o novo mínimo é possível comprar o equivalente a 1,99 cesta básica, tendo como referência a capital paulista. É o maior poder de compra desde 1979, segundo o Dieese. A entidade calcula que o aumento do mínimo deverá proporcionar ao governo uma arrecadação tributária adicional da ordem de R$ 6,3 bilhões em 12 meses.

Agencia Estado,

16 Abril 2006 | 19h11

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