jason Redmond/Reuters
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Novo operador quer trazer lojas diferenciadas da Starbucks para o País

Matriz, que comandava operação há oito anos, havia estabelecido no fim de 2016 a meta de abrir mais de 200 lojas, mas só inaugurou dez desde então

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 05h00

Após oito anos sob comando da matriz, a Starbucks Brasil voltou a ter operação terceirizada. A empresa de administração de restaurantes South Rock, estabelecida no País, mas comandada por americanos, anunciou a compra do direito de licenciar a marca na semana passada. Em entrevista ao ‘Estado’, o fundador da South Rock, Ken Pope, disse que a companhia já começou a trabalhar na operação, que deverá ganhar novos formatos de loja por aqui. A meta de triplicar a rede, anunciada pela Starbucks no fim de 2016, deverá ser mantida pelo novo parceiro.

Em 12 anos de Brasil, a Starbucks abriu 113 cafeterias, todas em São Paulo e no Rio. Segundo fontes do setor de restaurantes, a expansão ficou aquém do que se esperava. A rede foi trazida ao País pela empresária Maria Luísa Rodenbeck, que ajudou a montar, ao lado do marido Peter, as operações do McDonald’s e do Outback. Maria Luísa morreu num acidente de carro em 2007. A família Rodenbeck ainda tocou o negócio por algum tempo, mas ele acabou voltando à matriz em 2010.

Embora Pope não fale diretamente sobre as expectativas de aberturas de lojas, outras fontes ligadas à South Rock afirmaram que a meta anunciada pela Starbucks há cerca de um ano – a de triplicar o tamanho do negócio – está mantida. Para cumprir essa meta, porém, os novos donos terão de acelerar a expansão de uma forma que a matriz não conseguiu fazer. Desde janeiro de 2017, quando anunciou o objetivo de ultrapassar a barreira das 300 unidades, a Starbucks só abriu dez lojas.

Outra promessa não cumprida que os novos donos deverão agora levar a cabo é a de expandir a operação para outras regiões. Segundo Pope, o principal alvo são as capitais de outros Estados.

O executivo diz também que pretende trazer novos formatos de cafeterias ao País – até o “premium”, com design diferenciado e espaço para torrefação para café, poderia entrar nos planos. Outros ajustes planejados são a adição de design brasileiro às lojas e a correção do cardápio de comidas da rede.

Com o licenciamento da Starbucks, a South Rock ganha musculatura. Até agora, a operação se resumia a algumas marcas de restaurantes e cafeterias em aeroportos. Antes de fundar a South Rock, Pope, 33 anos, ajudou a montar o portfólio da Laço Management, que inclui supermercado St. Marché, Gendai e China-in-Box. Já na South Rock, Pope tentou comprar fatia majoritária do St. Marché, mas foi vencido pelo fundo americano Catterton.

Local x global. Para Sérgio Molinari, da Food Consulting, o retorno da operação da Starbucks a um parceiro local pode ser o sinal de que a matriz, acostumada a expansões bastante agressivas, tenha preferido concentrar forças em países de maior potencial do que o Brasil atual.

O especialista pondera também que empresários brasileiros costumam ter mais sucesso no setor de restaurantes do que as multinacionais – ele lembra que redes como McDonald’s e Outback tiveram seu primeiro ciclo de crescimento por aqui ao terceirizar a operação. Molinari lembra que, recentemente, a Starbucks não foi a única a decidir atrair um operador local: o empresário Carlos Wizard Martins, ex-proprietário da rede de idiomas Wizard, anunciou a aquisição da Pizza Hut e da KFC no País, no início de janeiro.

 

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