Novo pacote a montadoras só deve sair após posse de Obama

Wall Street Journal diz que líderes democratas no Congresso querem levar plano capaz de gerar empregos

Ricardo Gozzi,

14 de novembro de 2008 | 14h15

Congressistas democratas estão reduzindo os planos de um novo pacote de estímulo econômico para os Estados Unidos por causa de um impasse partidário que dificulta as chances de passagem tanto de um pacote mais amplo quando de um plano de socorro para as montadoras de veículos de Detroit, observou o The Wall Street Journal em sua edição desta sexta-feira, 14.  Veja Também: Veja os principais pontos do encontro do G-20 em São PauloDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos A expectativa é de que eles voltem à carga em janeiro, quando o Congresso voltará do recesso com a maioria democrata ampliada pelo bom resultado nas eleições de 4 de novembro. Os líderes democratas no Congresso querem levar adiante um plano capaz de gerar empregos. Eles também são a favor de um programa de resgate de US$ 25 bilhões em favor da cambaleante indústria automobilística americana. O problema maior está no Senado, onde a maioria democrata é tênue: será de 51 a 49 até o fim do ano, mas aumentará quando a legislatura eleita no início do mês for empossada. O governo George W. Bush resiste à agenda democrata e os republicanos na Câmara dos Representantes e no Senado dos EUA falam cada vez mais abertamente contra as propostas de socorro, especialmente contra o pacote em favor da indústria automobilística. "A situação financeira das três grandes (montadoras) não é um problema nacional. É um problema delas", opinou o senador Richard Shelby, principal político republicano na Comissão de Bancos do Senado. Na Câmara, o deputado John Boehner, líder da minoria republicana na casa, qualificou a proposta de ajuda às montadoras como "injusta com os contribuintes e não condiz com uma política fiscal sadia". O presidente da Comissão de Bancos do Senado, o democrata Christopher Dodd, disse hoje não saber de nenhum republicano favorável à proposta de US$ 25 bilhões às montadoras e não ter a intenção de levar adiante uma proposta como esta sem que haja apoio bipartidário. Ele disse que pretende ser cauteloso quanto a apresentar uma proposta que possa não vir a ser aprovada sendo que é muito maior a probabilidade de um pacote de resgate passar depois que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, assumir o cargo. "Há algumas considerações políticas que precisam ser feitas no decorrer dos próximos dias", prosseguiu ele. O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse ter planos de ir adiante com a proposta na próxima semana. "O senador Reid ainda acredita na importância de lidar com a crise que afeta a indústria automobilística", disse Jim Manley, porta-voz de Reid. Ele ressaltou, no entanto, que seria preciso haver cooperação bipartidária na casa. Apesar da intenção de Reid, o senador Dodd quer incluir no pacote de estímulo econômico uma cláusula que faça frente às execuções de hipotecas. Ele disse ontem frustrado com a forma como o setor privado e o governo Bush estão lidando com os donos de imóveis em dificuldades. As informações são da Dow Jones.

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