Novo pacote é insuficiente para Argentina, diz Bauman

O diretor da Cepal (Comissão de Economia para a América Latina e Caribe) no Brasil, Renato Bauman, disse hoje que o pacote econômico lançado na Argentina é apenas uma das medidas que precisam ser tomadas para fazer com que o País saia da crise. Segundo ele, há aspectos bastante positivos no plano, como, por exemplo, o acesso à liquidez por parte de assalariados e pensionistas. Na sua opinião, isso deverá reduzir a tensão social na Argentina. Destacou também a flexibilização da taxa de câmbio, que, num primeiro momento, deverá gerar impacto sobre as dívidas em dólar, mas é um passo correto para viabilizar a competitividade do País. Em entrevista concedida esta manhã à reportagem da Rádio Eldorado AM/SP, Bauman afirmou que há um custo para essa transição chegar a um ponto de equilíbrio, mas que essa trajetória era inevitável.Sobre uma possível ´quebradeira´ dos bancos argentinos em função do novo pacote, Bauman lembrou que é por esse motivo que foi declarado mais um feriado bancário no país. "O objetivo foi evitar que houvesse uma corrida bancária sem que exista liquidez para fazer frente a esse processo. Com a pesificação, isso significa, a princípio, que é possível atender às demanas por liquidez via emissão de pesos?.Para Bauman, a grande restrição da economia argentina hoje é a falta de liquidez em dólar, associada a um problema de credibilidade interna em relação ao peso. Ele explicou que, na medida em que se conseguir a confiança dos agentes econômicos com relação à moeda nacional, a opção por pesos será gradualmente ampliada. A grande incógnita agora será como o governo argentino vai regular esse processo de ajuste da emissão da oferta monetária sem gerar uma hiperinflação.Renato Bauman destacou que, além do pacote, a Argentina vai precisar também da adoção de um ajuste tributário. Embora reconheça que muitas pessoas possuam dívidas em dólar, o diretor da Cepal acredita também que boa parte dessas pendências será pesificada. "É necessário se repensar uma estrutura tributária, uma estrutura fiscal, a transparência em termos de gastos públicos. É preciso que haja um pacto social em que você tenha de ter as regras do jogo, tetos para endividamento por parte do Estado, das províncias, com relação à folha salarial, enfim, uma série de medidas para reconstruir a confiança por parte dos agentes econômicos na gestão da coisa pública. É uma série de ajustes estruturais que terão que ser feitos, embora esse processo seja lento e penoso".O diretor da Cepal falou que ninguém sabe dizer se esse pacote vai fazer com que a Argentina volte a receber aportes de dinheiro que tanto o País precisa dos organismos internacionais de crédito, principalmente o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele afirmou que, a julgar pelo noticiário, parece que o FMI estaria em conformidade, mas daí a garantir que só o plano já seria suficiente não saberia dizer. "Essa é uma decisão que também depende das discussões internas no bojo do fundo. As autoridades do FMI têm dado declarações que um aporte de dinheiro como o desejado pela Argentina, da ordem de US$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, só será concedido quando houver um pacote de medidas crível e sustentável ao longo do tempo. Resta saber então se só esse pacote será aceito pelo fundo. Eu acho que isso nós só vamos saber nos próximos dias".Leia o especial

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