Novo plano da Varig prevê criação de empresa com ajuda do BNDES

Na próxima terça-feira, na assembléia dos credores da Varig, será apresentada a proposta do executivo Marcelo Gomes, da Alvarez&Marsal, que trabalha na reestruturação da companhia. Trata-se de um plano B para a Varig, que prevê a cisão da empresa em duas partes - uma parte doméstica sadia e outra internacional com as dívidas. Caso a divisão seja aprovada na assembléia do dia 02, em até 10 dias será criada uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) com a operação doméstica da companhia aérea. A partir daí, dentro de 60 dias, a parte doméstica da Varig será vendida em leilão. As informações foram dadas pelo executivo da Alvarez&Marsal, em teleconferência no final da tarde desta sexta-feira. "É uma proposta de consenso. É boa para os trabalhadores e está dentro da Lei de Recuperação Judicial", disse ele, citando que o governo apóia. Ajuda do BNDES Gomes explica que o projeto do Plano B prevê que o BNDES fará um empréstimo-ponte no valor de US$ 100 milhões à SPE que será criada com os ativos domésticos da Varig ou ao interessado em comprar a empresa. O dinheiro servirá para cobrir as necessidades de caixa da Varig até a conclusão da venda, numa forma de antecipação do leilão da Varig doméstica. Por isso, ele explica que dinheiro volta ao BNDES, depois que o leilão for realizado. A Alvarez e a própria Varig vêm explicando nas últimas semanas que não querem dinheiro público nem "almoço grátis" do governo. Gomes também explicou que o BNDES entra como advisor, um assistente do governo na operação financeira. O banco poderá financiar até 50% do valor da compra da parte doméstica da Varig. Procurado, o banco limitou-se a informar que não comentará o projeto. Segundo uma fonte da Varig, o conceito da operação está "ok" entre a empresa e o banco, falta o detalhamento de valores e procedimentos finais. Depois da assembléia de credores, a proposta estará pronta. Operação precisa ser aprovada Gomes também comentou que a Anac e a Infraero têm de aprovar a operação, mas ressaltou que ela é legal e está contemplada dentro do artigo 60 da Lei de Recuperação Judicial. A possibilidade venda isolada da Varig doméstica vai ser votada junto da proposta da VarigLog na assembléia, em que também será apresentada a proposta do consultor Jayme Toscano. Gomes lembrou que na proposta de cisão, a Varig doméstica nasce sem passivos, que ficam dentro da Varig Internacional, que continuará no Plano de Recuperação Judicial.

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