Reuters
Reuters

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Novo premiê da Grécia dá os ministérios das Finanças e da Economia para a esquerda radical

Apesar de aliança firmada com partido ultraconservador Gregos Independentes, a Coalizão de Esquerda Radical (Syriza) vai ocupar os cargos estratégicos para enfrentar a crise econômica

Andrei Netto, Enviado Especial

27 de janeiro de 2015 | 17h19

O novo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciou nesta terça-feira, 27, em Atenas a formação de seu gabinete, no qual a Coalizão Radical de Esquerda (Syriza) terá o controle sobre Finanças, Economia, Produção e Energia. A nomeação restringiu o espaço do partido ultraconservador Gregos Independentes (Anel), cedendo ao parceiro de aliança o Ministério da Defesa e cargos menos estratégicos. Para o novo ministro das Relações Exteriores, a Europa não existe sem a Grécia.

A formação do gabinete foi anunciada um dia após Tsipras assumir a chefia de governo em substituição ao conservador Antonis Samaras. Os principais nomes confirmam que o maior partido do país, Syriza, que elegeu 149 dos 300 deputados da câmara, terá a hegemonia dos cargos considerados estratégicos para enfrentar a crise econômica. Os radicais nacionalistas de direita dos Gregos Independentes (Anel) ficaram longe do núcleo duro do governo.


Para o cargo de vice-primeiro-ministro, Tsipras escolheu o economista Yannis Dragasakis, um ex-comunista hoje considerado moderado. O premiê-adjunto será o coordenador da renegociação da dívida da Grécia - € 316 bilhões em outubro - com seus principais credores, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dragasakis também supervisionará os ministérios das Finanças, da Economia e Energia.

Também nome forte do Syriza, o economista Giorgos Starthakis assumirá o Ministério da Economia e da Infraestrutura e Panayiotis Lafazanis comandará o Ministério da Reconstrução Produtiva, da Energia e do Meio Ambiente.

Para o Ministério das Finanças, o segundo mais importante, o escolhido foi Yanis Varoufakis, doutor em Teoria Econômica da Universidade de Atenas e deputado eleito pelo Syriza. Considerado em Atenas um nome mais radical que Dragasakis, Varoufakis disse ao Estado após a vitória nas eleições que considera seu país "insolvente". 

Falando na semana passada ao website europeu Open Democracy, o novo ministro deu pistas sobre as negociações que serão abertas em fevereiro. Desta vez o governo grego deve voltar seus esforços para os credores públicos. 

Investidores privados foram os mais atingidos pelo programa de troca de títulos soberanos da Grécia que resultou em um corte de € 160 bilhões na dívida em 2012 - a maior reestruturação da história do sistema financeiro internacional. "Um governo Syriza deixará os credores privados em paz", garantiu. "No fim das contas, eles detém menos de 20% de nossa dívida. Não faz sentido abrir uma frente contra eles, com todas as consequências legais que isso traria."

'Sem Grécia, não há Europa'. Nomeado ministro das Relações Exteriores, Nikos Kotzias, atual conselheiro sênior da chancelaria especializado em relações entre Grécia e União Europeia e entre o bloco e os Estados Unidos, garantiu ao Estado que a Grécia não deixará a zona do euro "em hipótese alguma". "Sem a Grécia, não há Europa. Nós estamos na fundação da própria ideia da Europa, e não há como abandoná-la", afirmou.

Segundo Kotzias, as declarações públicas feitas até aqui por líderes políticos do Syriza, de um lado, e da Comissão Europeia, do BCE, do FMI e do governo de Angela Merkel de outro, foram "negociações informais" sobre a dívida, de forma a "gerar pressões"e a "estabelecer posições melhores para os dias de negociações reais". "A União Europeia e Berlim vão repensar, vão elaborar um novo discurso", acredita. "A questão mais importante para todos neste momento é estabilizar a situação da Grécia."

Para o novo chanceler, seu país está no meio de um triângulo de instabilidade política, entre a Líbia, a Ucrânia e o Oriente Médio. "Creio que ninguém tem interesse em desestabilizar economicamente a Grécia, porque isso traria para a União Europeia um grande número de novos problemas, como milhões de imigrantes e questões sobre segurança", explica. "O mais importante para a União Europeia é manter uma Grécia estável, capaz de irradiar estabilidade para toda a região, e não ser a porta aberta para a importação de instabilidade para a Europa." 

Kotzias também frisou que Bruxelas tem uma questão econômica crucial para discutir ao longo dos próximos meses: o acordo de livre comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos. Mas, para tanto, é preciso superar o debate sobre as dívidas nacionais, um tema mais urgente. "O problema é que não estamos discutindo TAFTA o suficiente porque o debate em torno da dívida tem sido hegemônico. Mas a Grécia quer participar dessa discussão e ser parte da solução, não do problema."

Tudo o que sabemos sobre:
Grécia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.