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Novo presidente da Airbus continuará plano de reestruturação

O novo presidente da Airbus, Louis Gallois, disse nesta terça-feira que manterá o plano de ajustes de seu antecessor, que envolve cortes de empregos e a reorganização da cadeia industrial, mas fará isso com "serenidade" e garantindo o "equilíbrio".Gallois, que desde segunda-feira substituiu Christian Streiff - que ficou três meses à frente da construtora de aviões européia e se demitiu -, afirmou que "não há nenhuma ruptura" com o plano de reestruturação, que, "evidentemente, será doloroso, pois haverá corte de empregos".O novo presidente disse também que reformará o dispositivo de implantações industriais nos quatro países que fazem parte da Airbus.No entanto, Gallois quis transmitir uma mensagem positiva sobre a atual crise e, em declaração à emissora "Europe 1", disse que a aplicação do plano de reestruturação estará condicionada "ao diálogo" e "ao equilíbrio entre os diferentes países sócios", de modo que "não se peça tudo a um país e ao outro, nada".Conhecido por sua habilidade na gestão de conflitos e pela diplomacia, Gallois quer se desvincular da administração de Streiff.O novo presidente disse que Streiff foi demitido porque "o modo de administração da Airbus não permitiu o sucesso de seu plano". Gallois disse que, por sua vez, levará "serenidade" à empresa.O novo chefe da construtora manterá o cargo de co-presidente na EADS, para o qual foi designado em julho, no episódio anterior de crise da Airbus. Gallois disse que acumular os dois cargos "é uma simplificação muito forte", porque "não há mais conflitos em potencial".O acionista francês de referência na EADS, Arnaud Lagardere, disse que simplificar a estrutura de gestão era uma "necessidade".Além disso, Gallois conta com a confiança dos alemães, tanto do acionista da EADS, a DaimlerChrysler, quanto do governo. A Alemanha tinha se mostrado insatisfeita nos últimos dias devido à perda do controle na estratégia da Airbus e, em particular, devido aos planos de Streiff de retirar de Hamburgo a parte na montagem do avião A380.No entanto, o novo presidente confirmou o diagnóstico de Streiff de que o atraso de dois anos nas entregas do A380 - que custará à empresa 4,8 bilhões de euros até 2010 - é devido, em parte, à colocação da fiação das aeronaves na fábrica alemã.No entanto, Gallois enfatizou que essa questão se deve a "problemas de integração da Airbus, não de Hamburgo".Sobre os planos de Streiff de concentrar a montagem dos A380 em Toulouse e a dos A320 em Hamburgo, Gallois disse que não pode sustentar "duas linhas de montagem" para um mesmo avião, mas garantiu que nenhuma decisão final foi tomada, já que "é muito cedo para dizer que aviões serão feitos em que lugares".Ainda nesta terça, Gallois irá à sede da Airbus em Toulouse, onde se reunirá com dirigentes e representantes sindicais, alguns dos quais tinham criticado Streiff por não levar em conta em seu programa a realidade da empresa e outras questões que não tenham relação com uma lógica estritamente financeira.Gallois terá de explicar quais serão as medidas para a redução em 30% dos custos da estrutura até 2010, como, por exemplo, o corte de pessoal.Segundo o novo presidente da companhia, esse corte é necessário para que a Airbus se mantenha competitiva contra sua concorrente americana Boeing, já que "o principal problema (da Airbus) é a competitividade nos custos" devido à desvalorização do dólar em relação ao euro nos últimos dois anos.O novo presidente da fabricante européia admitiu também que o 787 da Boeing "é um desafio" para a empresa, já que a Airbus não dispõe de um produto equivalente.Por isso, Gallois defende o lançamento do A350, sobre o qual o Conselho de Administração da EADS se pronunciará em algumas semanas. Na opinião do presidente da companhia, "a Airbus deve estar presente na totalidade" da gama, e em particular nesse nicho que representa 40% do mercado, embora esse investimento vá custar entre 9 e 10 bilhões de euros.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2006 | 12h41

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