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Novo presidente da Alacero defende proteção para o aço

Ao falar em evento da entidade que representa o setor nas Américas do Sul e Central, ele pediu medidas contra a China

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2015 | 02h04

BUENOS AIRES - Indicado nesta quarta-feira como o novo presidente da Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), o presidente da ArcelorMittal Aços Longos para Américas Central e do Sul, Jefferson de Paula, defendeu que a agenda do setor na região se mantenha focada em combater a concorrência desleal da China e o baixo crescimento da indústria. No caso do Brasil, que tem os piores indicadores de consumo aparente da região, o executivo defendeu que o governo adote medidas de proteção.

"Sou a favor do livre comércio, mas o momento é de tomar medidas contra o comércio desleal. O governo tem que agir para proteger o setor momentaneamente", disse a jornalistas no 56º Congresso da Alacero, em Buenos Aires, Argentina, onde foi oficialmente indicado ao posto no lugar de Martin Berardi, diretor-geral da Ternium Siderar. No ano que vem o encontro será no Rio de Janeiro.

A América Latina é um dos principais mercados do aço brasileiro no exterior e o País vem perdendo mercado diante do avanço das exportações de produtos siderúrgicos chineses, que duplicou nos últimos dois anos. A situação tende a piorar com a perspectiva do Produto Interno Bruto (PIB) da China crescer abaixo dos 7% em 2015 e 2016, o que significa menor consumo doméstico e uma maior agressividade nas exportações.

As perspectivas mais negativas divulgadas pelo Alacero para o desempenho do setor no Brasil, são, na visão de Jefferson de Paula, um reflexo mais dos problemas políticos que o País atravessa do que econômicos. "O maior problema do País hoje é a falta de confiança no futuro. A economia é movida a expectativas. Sem confiança, as empresas param de investir e as pessoas de comprar. Da queda de 3% do PIB (esperada para 2015) metade vem da indefinição política", disse.

O presidente da ArcelorMittal Aços Longos avalia que 2016 ainda será um ano muito duro. A companhia trabalha com uma previsão de queda de 1,4% do crescimento do País em 2016. "Será um ano ruim em cima de outro muito ruim", diz. Esse cenário reforçaria o discurso de proteção à indústria, com medidas como a recomposição do Reintegra, regime de compensação tributária cuja alíquota foi derrubada a 0,1%. Para de Paula, ela deveria chegar a 10% para estimular a competitividade.

Queda. A produção da ArcelorMittal Aços Longos no Brasil ficará 400 mil toneladas menor em 2015, informou Jefferson de Paula. Diante da retração da demanda, a empresa adotou paradas e a redução do ritmo de atividade de alguns equipamentos nas unidades de Piracicaba (SP) e Cariacica (ES).

"Estamos nos adequando ao tamanho do mercado", explicou na entrevista após da Alacero. Paralisado em agosto, um dos laminadores da planta de Piracicaba continuará desativado pelo menos até janeiro, esclareceu o executivo. O mesmo vale para o lay off (suspensão de contratos de trabalho) de 150 funcionários da unidade. Mais cedo, o CEO da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Baptista, informara que as operações haviam sido retomadas.

Com isso, a unidade paulista deverá produzir 600 mil toneladas no ano, o equivalente a 60% de sua capacidade instalada. Já em Cariacica a companhia encolheu a operação do laminador e da aciaria, diminuindo em 150 mil toneladas sua produção. 

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