Novo presidente da CVM defende FGTS na bolsa

O advogado Luiz Leonardo Cantidiano tomou posse ontem na presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) defendendo a popularização do mercado de capitais por meio do uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Para incentivar a aplicação, ele propõe que o trabalhador possa sacar os ganhos com ações que superarem o rendimento do fundo - que hoje é remunerado pela TR mais 3% a 6% ao ano. Esse saque poderia ser feito fora das regras atuais, que permitem a retirada só para a compra de imóveis, demissões ou algumas doenças graves. "O saque seria uma forma de incentivar a aplicação em bolsa de valores. Vamos elaborar um projeto e encaminhar para as autoridades", revelou. A idéia é que a regra seja válida só para os novos depósitos no FGTS e que o trabalhador possa aplicar e resgatar seus recursos diretamente, sem a necessidade de entrar em um fundo específico, como houve na época da oferta global de Petrobrás e da Companhia Vale do Rio Doce. "Queremos criar a cultura do investimento em bolsa no brasileiro", disse o presidente, que tem pela frente o desafio de desenvolver um mercado que movimenta hoje menos de R$ 600 milhões por dia, quando a média em 1997 era acima de R$ 1 bilhão. Segundo Cantidiano, o investimento com o FGTS só poderá ser feito nas ações de empresas que seguem as regras de transparência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Essas companhias devem ter o selo nível 2 de governança corporativa ou pertencer ao Novo Mercado, o que sinaliza um melhor tratamento ao acionistas minoritários.O novo presidente pretende punir de forma exemplar os culpados caso seja comprovado uso de pesquisa eleitoral para manipular o mercado.

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