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Novo presidente da Vale aposta em aquisições e diversificação de negócios

Em encontro com analistas, Fabio Schvartsman afirmou que mineradora deve voltar a uma fase de expansão em breve

Reuters e Mônica Scaramuzzo, Impresso

27 de maio de 2017 | 05h00

A mineradora Vale deverá em breve voltar a uma fase de expansão de seus negócios mirando oportunidades de fusões ou aquisições e estratégias para diversificar seu portfólio, atualmente com forte dependência do minério de ferro, disse o novo presidente da companhia, Fabio Schvartsman, em encontro com analistas, na sexta-feira.

“Apesar da alta qualidade dos ativos de minério de ferro da companhia e da alta lucratividade dessa unidade de negócios, o fato de todos os ovos estarem na mesma cesta é um importante risco de longo prazo para a companhia”, afirmaram analistas do Credit Suisse, em relatório para clientes que resume os principais pontos da reunião com Schvartsman.

O Bradesco BBI também produziu um relatório após conversa com o executivo, que tomou posse na segunda-feira, no qual afirma que uma questão-chave para a Vale será avaliar qual a melhor estratégia de diversificação do portfólio. Os negócios de níquel, por exemplo, não geram lucros suficientes.

“A estratégia será baseada em crescimento e diversificação para além do minério de ferro, com aquisições e fusões como a principal ferramenta. Desalavancagem e pagamento de dividendos não são o suficiente. A Vale precisa ter uma clara estratégia de crescimento”, explicou o Bradesco BBI, ao comentar as falas de Schvartsman.

De acordo com o Credit Suisse, o novo presidente da Vale criou grupos para avaliar a estratégia e a performance da empresa em diversas unidades de negócios, e um diagnóstico estará pronto em 60 dias.

A Vale também contratou a consultoria Falconi para avaliar sua matriz de custos e identificar potenciais cortes.

Ainda segundo o Credit Suisse, a companhia provavelmente conseguirá reduzir sua dívida líquida para um nível abaixo da meta de US$ 15 bilhões anunciada anteriormente.

Já os analistas do Bradesco BBI citaram também outras mudanças culturais que o novo presidente pretende implementar na Vale, como maior transparência, com executivos trabalhando todos na mesma sede, sem “clusters isolados dentro da companhia”.

O executivo também falou em reduzir a interferência do governo na companhia.

Schvartsman substituirá na Vale o administrador de empresas Murilo Ferreira, que presidiu a mineradora durante seis anos. Ele tem 63 anos e desde 2011 era presidente executivo da Klabin, produtora de papel e celulose.

Braço direito como assessor. A contratação do executivo Juarez Saliba de Avelar, ex-CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), reforça a tese de que a Vale poderá voltar a olhar ativos, conforme informou o Estado na quarta-feira. Avelar foi contratado para trabalhar como assessor da presidência da mineradora. Avelar também já teve passagem pela Vale – trabalhou por 17 anos e deixou a companhia em 2002, um ano depois de a chegada de Roger Agnelli.

Fontes afirmaram ao Estado que Avelar é um executivo com perfil mais investidor. “Durante sua passagem pela CSN, ajudou no planejamento de investimentos e expansão da siderúrgica. Ele também trabalhou no projeto da ferrovia Transnordestina”, disse uma pessoa a par do assunto.

Avelar chegou à companhia uma semana antes de Schvartsman, que teve uma trajetória de sucesso no grupo Klabin e Ultra. Na semana em que estourou as delações dos irmãos Batista, donos da JBS, Schvartsman estava em viagem ao exterior para conversar com investidores. O executivo estava acompanhado de Murilo Ferreira, ex-presidente do grupo, e Luciano Siani, diretor de finanças da companhia. 

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