Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Novo presidente da Vale, Fabio Schvartsman tem perfil discreto e direto

Executivo participou da compra da rede Ipiranga, no Grupo Ultra, e finalizou a profissionalização da gestão da Klabin; informação foi antecipara pela coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2017 | 21h56

Descrito como um executivo discreto e de posicionamento bastante direto em negociações, Fabio Schvartsman chega à presidência da mineradora Vale após ter permanecido seis anos à frente da fabricante de papel e celulose Klabin. Com 40 anos de carreira, Schvartsman, de 63 anos, teve passagens por outros importantes ícones nacionais, entre eles a Duratex e o Grupo Ultra. “Ele fala só o necessário”, descreveu uma fonte que já negociou diretamente com o novo presidente da Vale. A informação foi antecipada pela colunista Sonia Racy, no ‘Portal Estadão’, e oficializada à noite pela mineradora.

Depois de passar pela Duratex no início de sua carreira, a ascensão do engenheiro formado pela Poli-USP no mundo dos negócios se deu durante a passagem de 22 anos pelo Grupo Ultra, hoje dono de negócios como a distribuidora de gás Ultragás, a rede de postos Ipiranga, a química Oxiteno e a rede de farmácias Extrafarma. Atualmente, o Ultra fatura cerca de R$ 76 bilhões ao ano.

No Ultra, Schvartsman participou de negociações importantes, que ajudaram a dar ao grupo o porte que ele tem hoje, lembraram fontes de mercado ao Estado. Entre elas figurou a compra da rede de postos de combustíveis Ipiranga, em março de 2007, em parceria com a Petrobrás e a Braskem. 

Anos antes, dentro do Ultra, foi um dos defensores da compra da petroquímica Copene, mas o negócio acabou ficando nas mãos da Odebrecht, dando origem à Braskem, companhia considerada o braço mais saudável do conglomerado.

Apesar de ter participado de negociações importantes e de ter sido diretor financeiro e de relações com investidores, a saída de Schvartsman do Ultra se deu em meio à disputa pelo comando do negócio, no fim de 2007. Depois de mais de duas décadas, ele esperava ser elevado à presidência da Ultrapar, contam pessoas que trabalharam de forma próxima ao executivo na época.

Schvartsman era cotado para assumir a presidência da Ultrapar, substituindo Paulo Cunha. O escolhido acabou sendo Pedro Wongtschowski, que ficou no cargo até 2012, quando foi nomeado o atual CEO, Thilo Mannhardt. 

Após deixar o Ultra, Schvartsman assumiu o comando do grupo San Antonio em 2008, que se transformou num dos maiores fracassos da história da gestora GP Investments. Em 2014, a GP admitiu a perda de todo o dinheiro aplicado no negócio de serviços para o setor de óleo e gás - apenas a compra de 17,7% da operação custou US$ 135 milhões, em 2008.

‘Era Klabin’. O novo presidente da Vale deixou a San Antonio em 2010 e assumiu o comando da Klabin em fevereiro do ano seguinte. Ele foi o primeiro executivo que não pertencia às famílias controladoras a comandar o grupo, e chegou para finalizar o processo de profissionalização da companhia de papel e celulose.

Na Klabin, também teve o desafio de colocar em pé o projeto Puma, o maior investimento já realizado pela empresa. Inaugurado em junho de 2016, em Ortigueira (PR), teve orçamento de R$ 8,5 bilhões e se diferencia por ter produção híbrida, que permite a produção da celulose do tipo “fluff”, usada em fraldas, por exemplo. 

“É provavelmente hoje o melhor projeto (de celulose) do Brasil”, admitiu um executivo de uma concorrente. “Uma das vantagens da Klabin é a proximidade de suas plantações (de eucalipto), o que deixa o projeto mais competitivo.”

Uma das tarefas previstas para o novo presidente da Vale será uma reorganização societária. A empresa tem a intenção de acabar com a Valepar, que controla a companhia, para transformar a mineradora numa companhia sem controlador até 2020, o que acarretará mudanças no conselho de administração e na estrutura de suas ações em Bolsa. Schvartsman enfrentou desafios semelhantes na Klabin, incluindo a transformação de parte das ações em “units”.

Outra fonte lembrou que existem outras semelhanças entre os negócios de celulose e de mineração. Assim como o minério, a celulose é um produto cotado no mercado internacional e fortemente voltado para a exportação. 

Outra semelhança das duas atividades são os riscos ambientais. No setor de papel e celulose, há o impacto ambiental das florestas e da produção. Na Vale, a questão ambiental é um terreno bastante sensível, por causa do rompimento da barragem da Samarco - joint venture da brasileira com a BHP Billiton -, que rendeu bilhões de reais em multas à subsidiária e resultou na morte de 19 pessoas no fim de 2015.

Apesar de ver paralelos entre Klabin e Vale, a fonte lembrou que o desafio na mineradora é “infinitamente maior” não pelo porte da companhia e também pela presença dos fundos de pensão no negócio.

Procurada, a Klabin disse que só se pronunciaria por nota. Schvartsman não respondeu ao contato feito diretamente com ele pela reportagem. 

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