FOTO DIDA SAMPAIO / ESTADÃO
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Novo presidente do Banco Central defende autonomia e ampliação do crédito com fintechs

Em discurso de posse, Roberto Campos Neto disse ainda que 'o mercado precisa se libertar da necessidade de financiar o governo e se voltar para o financiamento ao empreendedorismo'

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 17h34

BRASÍLIA - Para o novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a autonomia da instituição ajudaria a consolidar progressos recentes e abrir espaço para novos avanços para o País.

"Precisamos agora avançar em outras dimensões, fundamentais para o desenvolvimento pleno do mercado financeiro brasileiro e, em colaboração com outros órgãos de governo, dar um foco especial no mercado de capitais", afirmou, em discurso de posse no BC nesta quarta-feira, 13.

Ele voltou a citar quatro pilares para fomentar o mercado de capitais: inclusão, precificação, transparência e educação financeira. Segundo ele, a democratização do mercado de capitais amplia a capacidade do mercado financeiro de prover recursos para o setor produtivo em condições justas, melhorando a alocação dos mesmos. 

Entre as distorções atuais do mercado, Campos Neto apontou os programas de empréstimos a juros subsidiados, principalmente por meio do BNDES. Ele afirmou que as empresas com acesso a esses recursos não aumentaram seus investimentos. 

"Além disso, os pagamentos antecipados por parte das empresas de empréstimos de longo prazo obtidos junto ao BNDES ressaltam a natureza de tesouraria de parte dessas operações, que deixaram de ser atrativas com a redução do diferencial entre a TJLP e a Selic", detalhou.

Para ele, a intermediação financeira no Brasil tem de se libertar das amarras que a prendem ao governo. "O mercado precisa se libertar da necessidade de financiar o governo e se voltar para o financiamento ao empreendedorismo. Por todas essas razões, é necessário avançar nas mudanças que permitam o desenvolvimento de nosso mercado de capitais, garantindo o acesso a tomadores e investidores, brasileiros e estrangeiros, famílias e empresas, grandes e especialmente pequenos", completou.

Fintechs

Roberto Campos Neto elencou um conjunto de medidas que ele pretende tomar para ampliar o mercado de capitais no País. Em termos de inclusão, ele citou o fomento ao uso de plataformas digitais de crédito - as chamadas fintechs - e o fortalecimento de programas de microcrédito, além do estímulo ao cooperativismo.

Já no âmbito de precificação, Campos Neto apontou que buscará avanços em áreas como sistema de pagamentos instantâneos, open banking, blockchain e centrais de garantias. 

"Nesse sentido é importante reduzir os custos operacionais e burocráticos e facilitar a entrada de pequenas e médias empresas e de investidores estrangeiros. Para garantirmos a inserção do país no mercado internacional, é preciso, através de uma agenda de simplificação, fomentar a disponibilização de ferramentas de hedge cambial voltadas a investimentos de mais longo prazo", avaliou. 

Na dimensão de transparência, o presidente do BC defendeu a explicitação dos subsídios implícitos nos direcionamentos de crédito, a criação um novo modelo de fomento à atividade rural e a modernização dos mecanismos de captação de recursos destinados à construção civil.

"No setor privado é necessário melhorar as informações sobre serviços e produtos financeiros, inclusive sobre os custos de conformidade nos processos de emissão de dívida e equity, permitindo a efetiva concorrência nos mercados", completou. 

Entre os objetivos da sua gestão, Campos Neto ainda listou a redução do custo de intermediação financeira, uma maior abertura do mercado para os estrangeiros - com uma eventual moeda conversível que sirva de referência para a região -, e a redução do papel do governo no sistema financeiro.

"Em suma, o desenvolvimento do país e de um sistema financeiro moderno e inclusivo exige trazer ao centro do palco o indivíduo - as famílias, as empresas - e reduzir o papel do Estado como um grande ator de mercado. É preciso abrir espaço para que haja mais empreendedores e menos atravessadores", concluiu.

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