André Dusek/Estadão
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Novo presidente do BC diz que vai perseguir inflação de 4,5%

O economista Ilan Goldfajn diz que os limites de tolerância para a meta de inflação, de dois pontos porcentuais acima ou abaixo de 4,5%, serão usados apenas em casos inesperados

Eduardo Rodrigues, Bernardo Caram, Célia Froufe e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2016 | 16h39

O novo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, defendeu nesta segunda-feira, 13, o regime de metas para a inflação e afirmou que irá perseguir o centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com ele, os limites de tolerância a esse alvo central devem ser utilizados apenas para acomodar choques inesperados na dinâmica de preços.

"Terei como objetivo cumprir plenamente a meta de inflação determinada pelo CMN, mirando o seu ponto central. Os limites de tolerância servem para acomodar choques imprevistos que não permitam retorno ao centro da meta em tempo hábil", discursou. "O único alvo a ser perseguido é o centro do intervalo", enfatizou.

Goldfajn avaliou ainda que é importante realizar um trabalho de gerenciamento de expectativas que indique no presente a convergência para o centro da meta em um futuro não muito distante. "É relevante que a trajetória de convergência seja ao mesmo tempo desafiadora e crível. A comunicação do BC com a sociedade precisa ser simples, direta e concisa. A comunicação precisa também deixar claras as condições necessárias para as perspectivas apresentadas", completou.

O País adota o regime de metas de inflação desde 1999 e o novo presidente do BC lembrou de sua passagem pela instituição entre 2000 e 2003, período em que ocupou a diretoria de Política Econômica. "Participei da implementação do regime no País e conheço não só seu princípio, como o seu funcionamento. O regime de metas de inflação é um robusto arcabouço de política monetária que já provou sua eficácia mesmo em cenários de estresse no Brasil e no mundo", acrescentou.

Goldfajn avaliou que assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda, mantendo a inflação baixa e estável, cria condições para a recuperação do crescimento sustentável necessário para o progresso social do País. "Inflação baixa é um bem público da maior relevância que foi conquistado pelo País há 20 anos. Ninguém quer de volta ou admite retorno a um período de inflação alta", afirmou.

Para o novo presidente do BC, não há crescimento sustentável e bem estar social duradouro sem uma inflação baixa e estável. "A literatura econômica já refutou o falacioso dilema entre inflação baixa e crescimento econômico. Uma inflação alta desorganiza a economia e inibe o investimento e o consumo. A sociedade é mais justa com um menor imposto inflacionário", concluiu.

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