Novo presidente terá de renegociar acordo com FMI, diz economista

O futuro presidente da República, a ser eleito em outubro, será obrigado a renegociar de imediato ou no curtíssimo prazo o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A avaliação é do economista Walter Mundell, sócio da WMundell Consultores. Independentemente de quem seja o presidente eleito, ele acredita que as projeções contidas no último acordo não são factíveis. "O problema dessas contas é que elas nunca dão certo", disse, sobre os pré-requisitos usados para as projeções.Segundo ele, é difícil que o PIB brasileiro tenha um crescimento de 3,5% do PIB, como projetam o governo atual e o FMI. Partindo do fato de que a economia dos Estados Unidos marcha em ritmo lento, o economista afirmou que o comércio mundial deve sofrer um tombo sério no próximo ano. Essa situação poderá ser agravada ainda mais se uma guerra contra o Iraque ocorrer.Sem um crescimento de 3,5% da atividade econômica, o novo governo teria de fazer um ajuste adicional para produzir o superávit primário de 3,75%. "O próximo governo vai estar disposto a fazer isso?", indagou Mundell, durante seminário nesta tarde, promovido pela Internews. As dificuldades seriam ainda maiores à medida que o mercado não dê uma folga para o próximo governo se ajustar. Na hipótese de uma crise mais grave e duradora nos Estados Unidos, mesmo se Armínio Fraga permanecesse na presidência do Banco Central, o economista disse que a transferência de recursos para o exterior poderia ser bloqueada. "Não teríamos outra saída", disse.

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