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Novo secretário ainda gera dúvidas dentro da Receita

Governo e subordinados não sabem qual linha de atuação Cartaxo vai seguir

Lu Aiko Otta, Adriana Fernandes, Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2009 | 00h00

No cargo de secretário da Receita há uma semana, Otacílio Cartaxo passa por um período de observação por seus superiores e seus subordinados. Na cúpula do governo, há dúvidas se as insatisfações que levaram à demissão de Lina Maria Vieira serão superadas pelo novo comando. Afinal, Cartaxo era o braço direito de Lina e a tendência é que seu trabalho seja a continuidade do que vinha sendo feito. Na máquina da Receita, a chegada de Cartaxo foi recebida com certo alívio. Ele é funcionário de carreira, o que é visto como uma opção melhor do que alguém "de fora". Após a demissão de Lina, houve especulações em torno de nomes como os atuais secretários do Tesouro, Arno Augustin, de Política Econômica, Nelson Barbosa e executivo, Nelson Machado, além de Márcio Pochmann, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Paulo Nogueira Batista Júnior, atual representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI). A escolha de Otacílio Cartaxo também agradou a boa parte dos funcionários originários da antiga Receita Federal. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, esteve muito próximo de nomear o atual presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Valdir Simão, para comandar a atual Receita - que é resultado da fusão entre a antiga Receita Federal e a parte arrecadatória da Previdência Social. Mantega recuou porque havia uma ameaça de rebelião da ala originária da Receita Federal contra um comando vindo da Previdência. Ainda assim, Cartaxo é visto com alguma reserva pelos funcionários mais "politizados" nomeados por Lina. Ao assumir, a ex-secretária trocou os ocupantes dos principais postos da estrutura. Muitos dos escolhidos são funcionários de carreira com conhecida trajetória no meio sindical. Outros são eminentemente técnicos. Cartaxo faria parte desse segundo grupo. Até mesmo integrantes do grupo político rival ao de Lina veem Cartaxo como neutro. Isso causa desconfiança entre os funcionários mais políticos, que temem uma mudança na linha de ação adotada pela ex-secretária. Há dúvidas se o novo secretário tocará com o mesmo ímpeto o projeto de reestruturação da Receita, focada na melhoria do atendimento ao cidadão e autonomia da instituição. O depoimento de Cartaxo na CPI da Petrobrás, no qual ele deixou em aberto a possibilidade de a estatal haver agido corretamente na manobra contábil com a qual adiou o recolhimento de R$ 4 bilhões em tributos, mostra um estilo distinto do de sua antecessora. Consultados, a maior parte dos dez superintendentes da Receita não quis se manifestar sobre o novo secretário ou se a crise na cúpula afetou o funcionamento da máquina. Os que o fizeram, se mostraram favoráveis à indicação do novo secretário. "Em princípio estamos reconhecendo a escolha de Cartaxo como a manutenção ou a não interrupção do projeto em andamento", afirmou o superintendente no Rio Grande do Sul, Dão Real. "Não vi manifestação alguma de rejeição ao novo secretário", afirmou o superintendente em Pernambuco, Altamir Dias de Souza.

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