Novo tipo de diesel não deve concorrer com biodiesel

O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou nesta sexta-feira que o H-Bio, tipo de diesel que terá um óleo vegetal em seu processo de refino, não deve concorrer com o biodiesel. "São processos complementares, e não substitutivos ou concorrentes", frisou em entrevista coletiva realizada na sede da empresa, no Rio de Janeiro. O H-Bio deve ser implementado já a partir de 2007 nas unidades de refino de Minas Gerais e Paraná (Regap e Repar) na proporção de 10% de óleo vegetal para 90% de diesel mineral.Pelos testes realizados nos últimos 18 meses, a mistura pode ser de até 18%. O processo é realizado na refinaria da Petrobras com utilização do óleo refinado a partir do grão (de soja, mamona, dendê entre outros) mais a adição de hidrogênio na composição do diesel comum obtido de diferentes correntes de processamento do petróleo. O resultado deste procedimento é um tipo de diesel de alta qualidade, com um teor de enxofre bastante reduzido mesmo se comparado ao recém lançado diesel 500 da Petrobras.Após o processo na refinaria, tanto o H-Bio quanto o diesel comum produzido em outras unidades são levados para as distribuidoras e terão em sua fórmula a adição do biodiesel, na proporção inicial de 2%, que depois passará a 5%. O biodiesel é produzido paralelamente a partir do grão ou do óleo em plantas de transesterificação, que também dão origem à glicerina entre outros derivados.Adoção do sistema A idéia é que inicialmente apenas as duas refinarias adotem o sistema por conta da proximidade com a produção de soja. Já para 2009, os planos são de estender esta produção para outras três refinarias, sendo uma delas a Refap, no Rio Grande do Sul. As demais ainda devem ser definidas nos próximos anos. "Precisamos estudar a logística de distribuição e mesmo de armazenamento deste óleo vegetal próximo às nossas plantas de refino", afirmou.Cooperativa investe em fábrica de biodieselA Cooperativa Agroindustrial do Centro Oeste do Brasil (Coabra), do Mato Grosso, investe R$ 30 milhões na criação de uma fábrica de biodiesel na região. O projeto foi citado nesta sexta-feira pelo governador Blairo Maggi, durante visita à 13ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto, São Paulo. Segundo o presidente da cooperativa, Eraí Maggi Scheffer, que acompanhou o governador, o projeto é resultado de um estudo conjunto entre produtores, associações e cooperativas que trabalham para criar a indústria e uma rede que envolverá o segmento, para estocar e transportar o produto no estado. Pelos cálculos da cooperativa, serão necessários R$ 130 milhões para fábrica começar a funcionar até o final deste ano. O dinheiro deve vir da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja) e da Associação dos Produtores de Soja e Algodão do Mato Grosso (Ampa). De acordo com Scheffer, "o objetivo é criar uma solução economicamente mais viável para o produtor da região". Ele diz ainda que o estudo projeta uma fábrica que tenha produção contínua de biodiesel dentro das especificações da Associação Nacional do Petróleo (ANP). Projeto importante Para o presidente da cooperativa, trata-se de um projeto importante, pois o diesel está muito caro, em torno de US$ 1 por litro, aumentando o custo para o sojicultor. Ele observa que nos países vizinhos o preço do combustível está em torno de US$ 0,30 o litro. Na Argentina, diz ele, está em US$ 0,46 o litro. O prefeito de Rondonópolis, Adilton Sachetti, que também acompanhou o governador durante a visita à Agrishow, explicou que para cada hectare plantado com soja, o produtor consumia 50 litros de diesel, equivalente a US$ 15, em 2002. Hoje, para cultivar a mesma área, o produtor gasta US$ 50, o que equivale ao preço de cinco sacas de soja.

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