Novos acordos exigem mais dos países

BRASÍLIA - Quando o Brasil deixou em segundo plano as negociações de acordos comerciais, em 2008, o que estava sobre as mesas de negociação eram tarifas de importação. Basicamente, quanto de imposto um produto paga ou deixa de pagar para entrar num país, o que determina maior ou menor restrição ao comércio. 

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2016 | 05h00

Oito anos depois, esse é só um item da pauta. Os acordos chamados de nova geração tratam até de regras trabalhistas e ambientais. O foco é saber se um país pode ou não integrar cadeias globais de produção. 

É o que rege, por exemplo, o acordo Transpacífico, que envolve Estados Unidos, países da Ásia e da América Latina. Competitividade e regras modernas são, agora, o bilhete para o jogo do comércio mundial. E há também novos tipos de acordo, que não estão mais restritos ao comércio de bens como era no passado. Há os que tratam de serviços, de comércio eletrônico, de compras governamentais e de investimentos, por exemplo.

O Brasil só entrou mais forte nesse tipo de entendimento a partir do ano passado. Em abril passado, por exemplo, foi fechado um acordo com o Peru já nos moldes modernos. Por ele, os investimentos de empresas brasileiras realizados lá estão protegidos contra riscos políticos. E vice-versa. Outros acordos nos mesmos termos foram fechados com México, Colômbia, Chile, Moçambique, Angola e Malaui e há interesse de outros países do Oriente Médio, África e Ásia. Entre os desenvolvidos, está na mira o Japão.

“Acordos bilaterais de investimento e compras governamentais podem ser fechados fora do Mercosul”, disse Armando Monteiro, ex-ministro do Desenvolvimento. Assim, o bloco econômico não foi empecilho às negociações. O que serve de treinamento para o que vem à frente.

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