Andre Lessa/AE
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Novos ares para a barbearia à moda antiga

Empresários apostam na tradição do ''barba e cabelo'' para atrair o público masculino

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

No rádio, toca uma canção de Elvis. Nas paredes, cartazes de filmes antigos, pôsteres de pin-ups e fotografias de automóveis antigos. Sobre o balcão, uma garrafa de água velva e navalhas afiadas. Ir à unidade da Barbearia 9 de Julho, no centro de São Paulo, é como voltar aos anos 50: uma época em que homens iam ao barbeiro por apenas três motivos (os mesmos anunciados hoje no cartaz na entrada da loja): cortar o cabelo, apará-lo com a máquina e fazer a barba.

Foi com a proposta de resgatar a simplicidade dos barbeiros de antigamente que a Barbearia 9 de Julho surgiu há quatro anos, na Rua Augusta. Com duas lojas na capital paulista, a empresa ganhará status de rede em 2012. Em julho, será aberta a terceira unidade, no Itaim. Mais duas estão previstas para o ano que vem: no Paraíso e na região da Berrini. "Priorizamos áreas de escritórios. O homem não tem tempo de voltar para cortar o cabelo no bairro", diz Anderson Napoles, sócio do empreendimento.

Embora as lojas da Barbearia 9 de Julho sejam pequenas, com três cadeiras - "para não virar salão de beleza", diz Anderson -, o investimento em cada unidade é estimado em R$ 100 mil. Segundo o coproprietário Tiago Cecco Gonçalves, os objetos de decoração são comprados em feiras e angariados aos poucos. Mas a ideia é manter o máximo de autenticidade, com restauração de móveis e equipamentos. "E isso custa dinheiro", diz.

Tanta preocupação com a reprodução da época tem motivo: tanto Anderson quanto Tiago são do movimento rockabilly, que cultua os símbolos dos anos 40 e 50, da música à moda, dos filmes aos cortes de cabelo. Por isso, ao resgatar a moda das barbearias, a opção foi pelo estilo tradicional: atendimento rápido - um corte de cabelo não leva mais de dez minutos -, serviços limitados e preço sob controle. Tanto barba quanto cabelo saem por R$ 25. O pagamento é feito somente em dinheiro.

Anderson e Tiago também desenvolveram produtos para o cliente completar o estilo em casa: a cera e a goma de pentear já podem ser comprados nas lojas - por R$ 25 e R$ 15, respectivamente -, mas a linha de cosméticos masculinos da dupla, batizada Ducktail (referência um penteado típico dos anos 50), deve ganhar nos próximos meses xampu, espuma de barbear e creme pós-barba. A fórmula é desenvolvida pelos sócios, e a fabricação é terceirizada em um laboratório.

Repaginada. Enquanto os paulistanos se agarram às raízes do negócio barbearia, a curitibana Meire Ferreira, da Barbearia Clube, leva o conceito às últimas consequências. Apesar de oferecer cabelo e barba a preços similares aos da 9 de Julho, a empresária criou uma espécie de clube de estética para homens: oferece tratamentos como limpeza de pele - ou "faxina na cara" -, pedicure, podologia, hidratação, sauna e até acupuntura. Há também a possibilidade de o cliente comprar um pacote de tratamentos e passar o dia inteiro se cuidando.

Meire conta que teve a ideia de abrir a barbearia depois de trabalhar por 20 anos em uma distribuidora de cosméticos. "Com os mapas da Nielsen na mão, vi que o mercado masculino tinha potencial", lembra ela. Junto com uma agência de publicidade, estudou o mercado durante dois anos antes de abrir a Barbearia Clube, em 2007. O investimento de R$ 180 mil, levantado com empréstimos, a venda de um carro e o saque de um plano de previdência privada, foi recuperado após dois anos e sete meses.

A empresária partiu para uma estratégia de expansão por franquias, que gerou duas outras unidades, mas rescindiu os contratos. As parceiras seguiram funcionando, mas com nomes diferentes. "Uma delas foi para a classe A, enquanto a outra se popularizou", conta. Agora, Meire busca reformatar o projeto: desta vez, com a ajuda de uma consultoria em franquias. Paralelamente, a empresária acalenta a ideia de iniciar uma operação própria em São Paulo: "O mercado está pedindo isso".

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