Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Novos dados indicam Alemanha e China afetadas duramente pela guerra comercial

Os novos dados contribuíram para a queda dos preços das ações por toda a Europa. Os principais índices das bolsas de Frankfurt, Paris e Londres registraram uma baixa de 1% ou mais nos pregões no meio do dia

The New York Times, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2019 | 18h54

Com sinais sombrios dos danos provocados pela guerra comercial entre China e Estados Unidos, os dados divulgados nesta quarta-feira, 14, indicam que a economia alemã caminha para uma recessão e o crescimento nas fábricas chinesas vem desacelerando a um ritmo não observado em quase duas décadas. 

A economia da Alemanha encolheu 0,1% de abril a junho e não avançou no ano passado, informou o departamento de estatísticas do governo. Analistas do Deutsche Bank prevêem que a economia continuará a encolher no presente trimestre, entrando em recessão.

Na China, a produção das fábricas em julho caiu ao seu ritmo mais lento em 17 anos, segundo dados do governo. Embora a economia chinesa tenha registrado dados para o comércio mais vigorosos do que o esperado na semana passada, a produção industrial é mais um sinal de que a taxa de crescimento chinês no geral continua a cair sob o peso da guerra comercial travada entre Pequim e Estados Unidos e dos problemas de endividamento do país. 

Não surpreende que China e Alemanha enfrentem dificuldades por causa das pressões comerciais. A China é a maior exportadora de produtos e serviços do mundo, logo à frente dos Estados Unidos, e a Alemanha vem em terceiro lugar. Os dois países foram afetados diretamente pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e mais amplamente pela perturbação gerada por esse conflito comercial para a economia global. 

Os novos dados contribuíram para a queda dos preços das ações por toda a Europa. Os principais índices das bolsas de Frankfurt, Paris e Londres registraram uma baixa de 1% ou mais nos pregões no meio do dia. 

Nos Estados Unidos o índice S&P-500 registrou uma queda de mais de 1,5% nos negócios da manhã. Os rendimentos dos títulos de governo americanos também caíram, sinal de que os investidores reduziram suas expectativas de crescimento. Os rendimentos de títulos, que declinam à medida que os preços sobem, vêm despencando desde que uma recente escalada do conflito levou os investidores a buscarem refúgio seguro nos títulos do governo. 

Os problemas da Alemanha e China são de péssimo augúrio para o resto do mundo por causa do papel descomunal desses países no comércio global. 

Os automóveis, maior produto de exportação da Alemanha, são um exemplo flagrante dos danos colaterais provocados pela guerra comercial. As montadoras alemãs Volkswagen, Daimler e BMW contabilizam pelo menos um terço da sua receita na China, onde as vendas de carros vêm diminuindo depois de anos de crescimento explosivo. Um importante fator dessa queda é a descarga de ameaças comerciais que inquietam os consumidores chineses e os desencoraja de comprar produtos caros. 

O desempenho econômico da Alemanha foi o pior de todos os países da zona do euro durante o segundo trimestre, indicam dados separados divulgados pela agência de estatísticas da União Europeia. 

Esta é uma situação embaraçosa para a Alemanha, que sempre deu lições para outros países sobre como administrar suas economias. O crescimento em declínio provavelmente intensificará os apelos para o governo de Angela Merkel aumentar os gastos para estimular a economia. 

“O relatório sobre o PIB – Produto Interno Bruto – divulgado hoje, marca o fim da década de ouro da economia alemã”, foi o que Carsten Brzeski, economista chefe no ING Germany, escreveu em nota aos seus clientes. “A pressão para o governo alemão agir vai aumentar”. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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