TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Novos hábitos reduzem linhas de telefone

Com ligações mais baratas e uso de aplicativos de mensagem, brasileiro deixa de ter mais de um chip

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 03h30

BRASÍLIA - Depois de anos de seguido aumento na base de clientes das operadoras de celulares, o cancelamento expressivo de 1,7 milhão de linhas de telefonia e internet móvel em junho reflete uma mudança no padrão de consumo dos usuários de smartphones que veio para ficar. Crise econômica, aumento do uso de aplicativos de trocas de mensagens e até mesmo o barateamento das ligações para número de empresas diferentes estão entre as causas da redução dos chips ativos no País. 

De acordo com o balanço do mês passado do setor, divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o número de linhas habilitadas no serviço móvel caiu de 284,154 milhões para 282,454 milhões, a maior queda mensal nos últimos dez anos e a primeira redução na base de clientes das operadoras desde setembro de 2013. 

O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, avalia que a crise econômica tem seu peso no movimento, mas não foi o fator mais importante para a redução das linhas habilitadas, concentrado na modalidade pré-paga. Segundo ele, boa parte dos consumidores está abandonando o costume de ter chips de mais de uma operadora para aproveitar promoções de ligações para números da mesma empresa. 

“O abandono desses chips ocorre porque o crescente uso de aplicativos de mensagens – como o WhatsApp – acaba com a necessidade dos usuários terem mais de uma linha para falar com clientes de outras operadoras. Com isso, parte deles simplesmente deixa de recarregar as linhas pré-pagas, concentrando os gastos em apenas um chip”, explica. 

Para Tude, a concentração de cancelamentos em junho tem relação com o fechamento do trimestre. Normalmente é nesse período que as operadoras fazem um “pente fino” nas linhas que não estão mais ativas, ou seja, que há mais tempo não são recarregadas com créditos. “O cancelamento dessas linhas não significa necessariamente perda de receitas para as empresas, porque são linhas que já não davam retorno financeiro mesmo”, diz. 

Já o presidente da Anatel, João Rezende, argumenta que a diminuição das tarifas cobradas nas ligações entre operadoras diferentes praticamente acabou com a necessidade de um usuário ter mais de um chip de telefonia móvel e é o verdadeiro motivo da redução de linhas. “Não vejo como um resultado da retração econômica, mas como um efeito natural da redução da tarifa interconexão. Nos últimos anos essa cobrança caiu bastante e hoje não existe mais o chamado ‘efeito clube’, na qual os usuários só fazem chamadas dentro das redes de cada operadora”, considera.

Para ele, a queda no número de linhas não significa uma diminuição na quantidade de usuários ou de ligações e deve continuar nos próximos meses. “O enxugamento da base de clientes do serviço pré-pago é um fenômeno mundial e deve continuar também no Brasil. Hoje existem 138,23 linhas habilitadas no País para cada 100 habitantes e a tendência é que essa relação fique cada vez mais próxima do ‘um para um’.”

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