Novos leilões serão mais rentáveis, diz Mantega

Para ministro, as quatro novas rodovias que serão concedidas terão lucratividade maior

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2013 | 02h14

As próximas rodovias que vão a leilão no Brasil serão as mais rentáveis, com maior tráfego e devem despertar interesse dos investidores estrangeiros, disse ontem, em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Sem demora, vamos oferecer quatro rodovias para leilão."

Além das rodovias, Mantega disse que o governo está finalizando a modelagem para oferecer ferrovias aos investidores e ressaltou que o dinamismo da economia brasileira nos próximos anos virá desses investimentos em infraestrutura. "Estamos falando de um novo ciclo de expansão da economia de longo prazo", disse a jornalistas. Como exemplo, ele destacou que cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura gera de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões em riqueza nacional.

Mantega, que almoçou ontem com 20 grandes investidores de Wall Street, disse que pôde perceber, pelas perguntas dos presentes no encontro, o interesse em investir no Brasil. Ele disse ainda que teve a chance de explicar alguns pontos que geravam dúvidas.

A grande aposta do governo para destravar os investimentos em infraestrutura no País, o programa de concessões começou de forma truncada. Uma das duas primeiras rodovias do programa, o trecho da BR-262 entre Minas Gerais e o Espírito Santo, simplesmente não atraiu investidores, apesar de ser apresentado como o "filé mignon" do programa. No caso dos aeroportos, o governo reduziu as exigências para Confins, em Minas Gerais, uma forma de atrair mais investidores.

Oportunidade. De qualquer forma, segundo Mantega, o Brasil é hoje no mundo um dos poucos lugares onde é possível ganhar dinheiro com investimento. Ele ressaltou que o governo ainda está aprendendo e aperfeiçoando os modelos de concessão e trabalhando para deixá-los mais interessantes e lucrativos para o setor privado, sem esquecer dos benefícios ao consumidor.

Com os altos investimentos exigidos, Mantega afirmou que o Brasil não tem condições de financiar os projetos sozinhos, por isso a necessidade de parceiros internacionais. O ministro ressaltou que os bancos privados brasileiros têm mostrado interesse em participar dos financiamentos e que as instituições públicas - Caixa, Banco do Brasil e BNDES - vão participar dos projetos, mas em parcerias com seus pares privados.

Os investimentos nesse setor terão em sua estrutura uma parte em financiamento e outra em equity (ações). Mantega disse que a primeira deve ficar entre 60% e 70% de cada projeto, com a parte em ações respondendo pelo resto. "O setor privado vai ter chance de financiar a infraestrutura no Brasil", afirmou o ministro.

"As regras dos projetos estão claramente definidas. Ocorreram arestas em relação à atratividade de cada um", disse o ministro, ao responder a um questionamento de um jornalista se os investidores estrangeiros mostraram preocupação com a mudança das regras nos projetos brasileiros. O ministro citou que os primeiros leilões de rodovias precisaram ser adiados porque estavam baseados em estudos antigos, desatualizados e, por isso, precisaram ser revistos. "Pudemos apresentar um modelo de concessão que será bem-sucedido", afirmou.

Hoje, Mantega participa de um evento para discutir oportunidades de investimento no Brasil, organizado pelo banco Goldman Sachs e pelo Grupo Bandeirantes. Além dele, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, estará presente. A presidente Dilma Rousseff deve fechar o evento.

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