Novos poços podem confirmar reserva única no campo Carioca

Segundo o Credit Suisse, unitização das reservas pediria formação de empresa internacional para operá-las

Kelly Lima, da Agência Estado,

20 de junho de 2008 | 19h07

A área do pré-sal no bloco BM-S-9 - onde foram anunciadas as descobertas de Carioca e Guará - tem mais cinco prospectos a serem desenvolvidos, revela um relatório divulgado nesta sexta-feira, 20, pelo banco Credit Suisse. Os novos prospectos são chamados de Iguaçu, Complex, Tupã, Abaré, e Abaré Oeste.  Veja também:Veja a história e os números da Petrobras A exploração de petróleo no Brasil A maior jazida de petróleo do País De acordo com o relatório, que contém informações obtidas em conferência realizada pela Repsol - parceira da Petrobras e da BG na área - há a perspectiva de que a perfuração de poços em todos estes projetos confirme a existência de uma única jazida no local, devido à similaridade dos detalhes obtidos a partir de cada reservatório. Especialistas vão além e estimam que estas reservas podem se estender para fora dos limites do bloco, o que confirmaria a tese de que há uma única reserva na área, que inclui os quatro blocos (BM-S-8, BM-S-9, BM-S-21 e BM-S-22), que hoje compõem a estrutura chamada Pão de Açúcar e ainda Tupi, onde a Petrobras já identificou potenciais reservas de 5 a 8 bilhões de barris recuperáveis. Na prática, segundo o geólogo Giuseppe Baccocolli, esta confirmação sobre a existência de uma reserva única exigiria a unitização das reservas, como vem sendo comentado no mercado. Ele lembra que, para isso, não haveria a necessidade de estabelecimentos de novos contratos, mas apenas a formação de uma empresa internacional única, composta pela Petrobras, BG, Shell, Repsol, Galp (que também opera em alguns blocos Petrogal), Exxon e Amerada Hess.  "Somente com a perfuração de novos poços é que haverá uma confirmação sobre a extensão desta jazida. Isso deve acontecer ao longo dos próximos quatro a cinco anos", comentou. Atualmente, existem cinco sondas perfurando a Bacia de Santos, sendo duas em águas rasas - com possibilidade de se estender para o pré-sal - e outras três na região chamada cluster de Tupi, que engloba os blocos citados acima. Segundo o relatório do Credit Suisse, apenas com referência ao bloco BM-S-9, os estudos indicam que ele pode chegar a ser até maior do que Tupi. O terceiro poço no local que deverá ser furado assim que for concluída a perfuração de Guará, já poderá dar maior segurança a esta informação. Por enquanto estão feitos testes de contato entre o óleo e a água que indicam a similaridade das estruturas furadas. A perspectiva, segundo o banco, é de que a sonda Stena Drill, emprestada pela Repsol para perfurar Guará deverá fazer um furo na região sudoeste do bloco, provavelmente no prospecto de Abaré Oeste, antes de seguir para sua campanha no Golfo do México. "Esta decisão reforça a impressão de que o BM-S-9 está emergindo como o maior campo de óleo daquela área", afirmam os analistas do Credit Suisse, considerando que os concessionários desta área estão correndo contra o tempo para tentar fazer um maior número de furos para acelerar as descobertas antes do prazo estabelecido pela ANP para a devolução da área, em setembro deste ano.  Com isso, a companhia operadora conseguiria estender o prazo para mais 2 a 4 anos. "Dada a existência de apenas três sondas no Brasil hoje que operam em águas ultra-profundas esta estratégia de perfuração tem que ser muito bem planejada", comenta o relatório.

Tudo o que sabemos sobre:
PetróleoPetrobras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.