Novos ricos do Google financiam empresas

Funcionários que enriqueceram com a valorização das ações do Google tentam repetir a história investindo em novas empresas de tecnologia

Miguel Helft, The New York Times, San Francisco, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

Chris Sacca tinha um emprego dos sonhos como guru da tecnologia Wi-Fi (de conexão de Internet sem fio) no Google. No entanto, com suas opções de ações garantidas, ele deixou a companhia de busca na Internet neste mês, para começar uma carreira como investidor de risco. Sacca, de 32 anos, une-se a um grupo crescente de milionários do Google que esperam multiplicar suas fortunas recém-adquiridas financiando novos empreendimentos na área de tecnologia. Três anos depois de o Google ter aberto o capital, uma rede de veteranos da companhia se espalha pelo Vale do Silício. Alguns ingressam nas firmas de capital de risco que financiaram o boom da tecnologia nos anos 90. Outros criam fundos de investimento ou apóiam companhias embrionárias com seu próprio dinheiro, como "investidores anjos". "Eu tinha um dos melhores empregos do mundo", afirmou Sacca, que, como diretor de iniciativas especiais do Google, chefiou projetos cruciais, entre eles a criação de uma rede Wi-Fi gratuita na cidade natal da companhia, Mountain View, na Califórnia. "Mas há um mundo de oportunidades." Assim, depois de quatro anos no Google, decidiu trabalhar por conta própria e criar um fundo de risco. Como muitos profissionais do Vale do Silício, Sacca gosta de trabalhar em companhias pequenas. E o Google, hoje com mais de 16 mil empregados, está longe de ser um novo empreendimento. Em suas novas carreiras, ex-alunos do Google como Sacca recorrem cada vez mais a antigos colegas em busca de dinheiro e idéias. Eles unem esforços para recrutar investidores, identificar empreendedores e contratar engenheiros e administradores talentosos. Alguns veteranos do Google esperam transformar seus laços tênues numa poderosa rede no Vale do Silício, onde teias de dinheiro e conexões ajudaram a criar muitas companhias. "Para fortalecer a rede, planejamos reunir todos os ?ex-googlers? que estão criando e investindo em companhias", disse Aydin Senkut, um ex-gerente de vendas que ingressou no Google em 1999, quando a empresa tinha 62 funcionários. Senkut saiu em 2005 para se tornar um investidor anjo.A união normalmente compensa no Vale do Silício. O PayPal, sistema de pagamentos online, formou vários empreendedores em série que fundaram e financiaram algumas das mais fortes companhias de Web 2.0, entre elas YouTube, LinkedIn e Slide. Vários ex-integrantes do PayPal investem nas companhias uns dos outros. Um co-fundador, Peter Thiel, que hoje administra um fundo hedge de US$ 3 bilhões em San Francisco, é o padrinho do que as pessoas chamam, brincando, de Máfia do PayPal. Não há garantias, é claro, de que a safra crescente de investidores vindos do Google terá sucesso, individualmente ou em grupo. "O desafio para os rapazes do Google é mostrar que valor eles podem agregar além de apresentar pessoas para alguém do Google", afirmou Paul Kedrosky, da Kauffman Foundation, que fomenta o empreendedorismo. Segundo ele, o núcleo da Máfia do PayPal é formado por fundadores e empregados pioneiros que aprenderam muito ao transformar seu empreendimento inicial numa grande companhia de pagamentos online. O eBay acabou comprando o PayPal por US$ 1,5 bilhão.Mas existem muitas pessoas no Vale do Silício que apostam na capacidade dos ?ex-googlers?. "O Google está no centro do ecosistema de propaganda online", disse Roger Lee, sócio da Battery Ventures, uma importante empresa de investimentos em empresas emergentes.

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