Novos sabores aquecem o mercado de chás

Depois de um ano de estabilidade, em que os volumes se mantiveram constantes e se verificou alta apenas em faturamento por conta de repasses de preços, o mercado brasileiro de chás secos começa a esboçar sinais de recuperação real. Os resultados obtidos pelas maiores empresas do setor nos primeiros meses do ano já sustentam previsões de incremento em volume de vendas de 5% a 15% para o exercício corrente.O que contribui para esse movimento é, por um lado, a busca da população por produtos saudáveis e, por outro, a oferta maior de sabores. Diante desse quadro, a percepção da maioria dos executivos ouvidos pela Agência Estado é de que os chás tradicionais, como o mate e preto, começam a ceder lugar para outras ervas, flores e frutas, que têm maior valor agregado e apelo saudável. Prova disso é que dos 4,9 milhões de quilos movimentados pelo setor ao ano, essa última categoria responde por apenas 21%. Em contrapartida, dos R$ 190 milhões faturados, 63% advêm das vendas de seus itens.A força das opções de ervas diferenciadas, flores e frutas torna-se mais evidente quando se analisa, por exemplo, os dados do chá mate. Apesar de ainda corresponder ao grosso do volume comercializado no País (74%), só contribui com 30% do faturamento do setor. O chá preto, por sua vez, detém 5% do volume do segmento e 7% do valor, de acordo com a ACNielsen. "O segmento de ervas, flores e frutas vem crescendo tanto porque é nele que o mercado de chás concentra suas inovações", explica a gerente de marketing da Dr. Oetker, Cláudia Rocha. "Não é à toa que temos concentrado nossa atuação neste nicho de mercado". Os destaques são os chamados chás funcionais, como o Doce Sonhos, Doce Manhã, Doce Vida + C (enriquecido com essa vitamina) e o Chá do Bebê.Outra que segue na mesma linha é a Masterfoods, responsável pela marca Castellari. A companhia, de origem norte-americana, pretende focar neste ano seus negócios de chá na linha Momentos, lançada em 2002, sob esse mesmo conceito da Oetker, de chás que tragam benefícios ao consumidor, como o de ajudar a dormir, de contribuir para o despertar, para manter a boa forma física, entre outros. "Esta é a linha que mais tem crescido dentro de nossos negócios de chás, tanto pelo apelo de saúde, como pela possibilidade que ela abre de trabalharmos públicos diferenciados, que buscam benefícios diversos", comenta a gerente de produtos da Masterfoods, Ana Cristina Gomes. "A Momentos deve ser uma das principais alavancas do nosso crescimento deste ano, projetado para 15% em volume."A Moinhos Unidos, da marca Mate Real, também vem dando maior destaque aos seus chás diferenciados. De acordo com o diretor de marketing da companhia, Diogo Fontana, uma das estratégias da companhia para alcançar os 10% de crescimento em volume esperado para este ano é de trabalhar para que os sabores diferenciados da linha da companhia se tornem mais conhecidos.A Leão Junior, líder de mercado, moveu-se para não perder espaço. A companhia, que prevê um crescimento de 10% ao término do exercício corrente, lançou neste ano a chamada Linha de Chás Mistos, que engloba o Boa Noite, Bem-Estar, Boa Forma e Chá do Bebê. Assim como os da Dr. Oetker e da Masterfoods, esta linha da Leão Junior resulta de misturas de ervas que se propõem a trazer algum benefício específico ao consumidor. Depois da Leão Junior, que detém mais de 60% deste mercado, a concorrência fica mais acirrada. A segunda colocação é disputada palmo a palmo entre a Moinhos Unidos e a Dr. Oetker. Embora ambas reivindiquem para si o título de vice-líder do segmento, dados do mercado apontam para a Moinhos Unidos como vencedora, em termos de volume, e para a Dr. Oetker quando o critério é a participação de mercado em valor.Observa-se, contudo, uma ascensão de empresas regionais, que em sua maioria entram no mercado com opções mais econômicas em relação às líderes. Estima-se que hoje as marcas regionais já respondam por quase 20% do mercado brasileiro de chás secos em volume, percentual que não passava de 13% em 2001. O crescimento, que num primeiro momento seria temido pelas empresas maiores, na verdade é visto com otimismo. O raciocínio é que a existência das empresas regionais possibilita uma penetração maior dos chás nos lares brasileiros, uma vez que abre a chance de compra a uma camada de menor renda da população. O efeito positivo deste movimento é que, com um pequeno incremento de renda, esse consumidor tende a buscar opções melhores, o que se refletiria em aumento de vendas para as empresas líderes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.