Núcleo da inflação no varejo é o menor desde novembro/98

O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) de até 31 de agosto - indicador que tem resultado idêntico ao do Índice de Preços ao Consumidor - Disponibilidade Interna (IPC-DI) de agosto -, teve alta de apenas 0,07%. Portanto, o núcleo do IPC-DI de agosto, que será oficialmente divulgado em 6 de setembro, no anúncio do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de agosto, foi antecipado hoje. A informação partiu do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz. Ele informou ainda que o núcleo da inflação do varejo em agosto, que exclui as principais quedas e as mais expressivas altas de preço no mês, foi a menor taxa nesse tipo de indicador desde novembro de 1998.Além disso, o núcleo do IPC em agosto também foi menor do que o de julho, quando o núcleo subiu 0,30%. Ao ser questionado sobre a influência de uma notícia como essa para o Banco Central e sua decisão ou não de iniciar trajetória de redução na taxa básica de juros (Selic), Braz foi cauteloso. "Essa taxa do núcleo é mais um sinal positivo para ser levado em consideração (pelo Banco Central) de que a decisão de reduzir juros acabe acontecendo mais cedo ou mais tarde", disse.A FGV anunciou, no final de fevereiro, reestruturação no seu calendário de índices para acompanhar a evolução do nível de preços em períodos de apuração pré-fixados. Com a mudança, todo o último IPC-S do mês terá sempre a mesma taxa do IPC-DI de igual mês de referência.Queda menos intensa deve continuarOs próximos resultados do IPC-S continuarão em patamar baixo, mas provavelmente não tão baixo quanto o resultado anunciado hoje, referente ao período encerrado em 31 de agosto e que registrou deflação de 0,44%. A avaliação é do economista da FGV, André Braz. Ele explica que há vários fatores que podem contribuir para que o IPC-S possa apresentar queda menos intensa na próxima apuração, de até 7 de setembro. Entre eles, está o aumento na taxa de água e esgoto em São Paulo, em vigor desde o dia 31 de agosto. "A taxa de água é um item de peso na formação de preços do grupo Habitação", disse, lembrando que o grupo é o de maior força, entre as sete classes de despesa do IPC-S, no cálculo da taxa do indicador. Além disso, Braz observou que a deflação nos preços de Vestuário começou a perder fôlego no IPC-S de até 31 de agosto. "Isso pode ser reflexo de que começa a acabar a época de liquidações nas lojas, referente à coleção outono inverno, já que a nova coleção primavera verão está chegando", disse. Ao comentar sobre o preço dos alimentos, o economista observou que a inflação no atacado sugere que ainda pode haver espaço para queda de preços nos alimentos no varejo. Mas considerou que é muito difícil prever o comportamento dos preços de Alimentação, que são impactados por fatores imprevisíveis - como o clima, por exemplo.Deflação generalizada em alimentosA deflação nos preços dos alimentos, no âmbito do IPC-S de até 31 de agosto, foi "generalizada", segundo avaliação do economista André Braz. Os preços dos alimentos passaram de -1,30% para -1,57%, do IPC-S de até 22 de agosto para o indicador anunciado hoje, de até 31 de agosto. Braz informou que, dos 21 itens alimentícios, 16 apresentaram taxas negativas, e 12 estão com recuo de preços ante o IPC-S anterior. Entre os destaques, estão as deflações nos preços de Hortaliças e Legumes (de -5,82% para -7,73%) e Arroz e Feijão (de -1,21% para -1,93%). Braz informou que, no caso das hortaliças e legumes, de grande peso no grupo dos alimentos, de 28 itens desse segmento, 21 estão com taxa negativa, e 20 apresentaram desaceleração de preços ante o IPC-S anterior. "Não é um fator pontual, provocado apenas por quedas nos preços de tomate e batata por exemplo. O recuo de preços está bastante disseminado nas hortaliças e também nos alimentos", disse. Braz informou também que os preços das carnes continuam em queda no varejo, com destaque para carne bovina (de -0,78% para -0,81%). Além da melhor oferta, originada de bons períodos de clima, os preços desses produtos devem estar sendo beneficiados por redução no custo de produção - influenciado pela valorização cambial, que puxa para baixo preços de itens relacionado ao dólar.

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