Núcleo do IPCA é o maior desde março de 1999

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou um leve crescimento de agosto para setembro, mas seu núcleo, que leva em conta apenas os chamados preços livres, avançou pela terceira vez seguida neste ano e tornou-se o maior, desde março de 1999. É o que mostram os cálculos do economista Ricardo Braule, um dos membros do conselho do Sistema de Índices de Preços do IBGE. "A situação no ´front´ inflacionário não piorou pouco, mas drasticamente, já que o núcleo da inflação aumentou pelo terceiro mês consecutivo", comentou Braule.Enquanto o IPCA avançou de 0,65% para 0,72% entre os dois meses, o núcleo saltou de 0,64% para 1,07%. Em março de 1999, dois meses depois da mudança de regime cambial ocorrida em 13 de janeiro, o núcleo medido pelo economista havia cravado 1,6%, depois de ter ficado em 1,3% no mês anterior. Braule explica que estes dois meses de 1999 foram "absolutamente atípicos", por terem se seguido à desvalorização do câmbio.O economista avalia que o repasse do dólar aos preços foi um dos principais motivos de pressão. Segundo o economista, não houve outro motivo para explicar a alta.Braule diz que o núcleo acumulado em 12 meses continuou a "trajetória de alta", fechando setembro em 7,38%, contra os 6,85% acumulados até agosto. O economista destaca que a metodologia de cálculo do núcleo contempla apenas os preços livres, excluindo, por exemplo, variações das tarifas controladas pelo governo, aluguéis, mensalidades escolares e planos de saúde, ou seja, itens que não são definidos pelo mercado, ou que têm aumentos episódicos no ano.

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